Juro cai nos EUA e dispara a Bovespa
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quinta-feira, 04 de janeiro de 2001
Agência Estado De São Paulo 
A euforia dominou os mercados financeiros ontem, com a decisão do Federal Reserve, em reunião extraordinária, de reduzir os juros norte-americanos. Foi a primeira queda em dois anos. A taxa de redesconto foi cortada em 0,25 ponto porcentual, para 5,75% ao ano, e a taxa dos Fed Funds, em 0,50 ponto porcentual, para 6% ao ano. O mercado acionário brasileiro comemorou: o índice Bovespa fechou na máxima do dia, uma alta de 7,61% e a bolsa movimentou quase R$ 1 bilhão (R$ 960,939 milhões).
O mercado esperava uma queda dos juros norte-americanos, mas apenas no final do mês, pois o Fed tem reunião marcada para os dias 30 e 31. A surpresa desencadeou uma onda de entusiasmo nas bolsas norte-americanas. O Indice Nasdaq, que anteontem caiu 7,23% e ontem operava com alta discreta, disparou após o anúncio do Fed, atingindo rapidamente 11% de alta e fechando com aumento de 14,18%. O Dow Jones, que vinha de uma queda de 1,44% anteontem, subiu 300 pontos em menos de 15 minutos após o anúncio. Houve uma verdadeira fúria compradora de ações em Wall Street, sem discriminação de nenhum setor: ações de tecnologia, financeiras, indústrias farmacêuticas, bens de capital, tudo era alvo de compras.
No Brasil, os mercados já estavam festejando a confirmação da melhoria dos ratings dos títulos da dívida de longo prazo em moeda estrangeira e local, anunciada pela Standard & Poors. Este anúncio, que era aguardado para esta semana, foi feito pouco após às 15 horas. O comunicado do Fed, cerca de uma hora depois, só fez ampliar as máximas do Indice Bovespa.
O ministro da Fazenda, Pedro Malan, através de nota divulgada pela sua assessoria de imprensa, afirmou que a decisão do Fed de cortar os juros nos EUA é positiva para a aterrissagem suave da economia norte-americana, para a liquidez da economia mundial e para o Brasil.
O dólar comercial, que abriu o dia em ligeira alta, inverteu a mão e fechou perto da cotação mínima do dia, R$ 1,9330 na venda, uma queda de 0,51%. A expectativa de analistas é que o dólar abra hoje em queda.
A queda das taxas de juros nos EUA poderá justificar novas reduções na taxa de juros brasileira. Quando reduziu os juros, em dezembro, o Banco Central acreditava em uma queda mais lenta da taxa norte-americana. Na ata da reunião do Comitê de Política Monetária, que reduziu as taxas internas (a Selic) de 16,5% para 15,75%, a diretoria do BC dizia que os juros norte-americanos sofreriam dois cortes de 0,25 ponto percentual ao longo do primeiro semestre de 2001. Mas a redução foi mais rápida.
Esta foi a primeira redução de juros do Fed desde novembro de 1998. Entre maio de 1999 e junho de 2000, numa tentativa de conter o crescimento acelerado da economia e de afastar possíveis pressões inflacionárias, o banco central norte-americano havia elevado as taxas de juros do país por seis vezes e estava sendo culpado por investidores e analistas econômicos por um aperto monetário considerado excessivo. A alta dos juros tornou o dinheiro mais caro para consumidores e empresários.


