Arquivo FolhaA médio prazoEfeitos da redução das taxas de juros nas compras a prazo só deverão ser sentidos no ano que vem O Banco Central anunciou ontem a queda dos juros no mês de janeiro, que foi menos ambiciosa do que o mercado esperava. A TBC (Taxa Básica do BC) caiu de 2,9% para 2,72% ao mês. A outra taxa para os empréstimos do BC aos bancos, a Tban (Taxa de Assistência do BC), caiu de 3,15% para 3,03% ao mês. Tanto a nova TBC quanto a nova Tban vigorarão no período de 2 a 28 de janeiro.
Analistas como o ex-ministro da Fazenda Maílson da Nóbrega, hoje na Consultores Associados, apostavam em uma taxa entre 2,5% e 2,6% para a TBC. Em termos anuais, a TBC cai de 40,92% para 38% - o que mantém o Brasil como o líder no ranking dos países com as taxas de juros mais altas. A TBC é utilizada nos empréstimos de assistência financeira que o BC faz aos bancos. Assim, ela serve de referência para os juros cobrados nas outras operações bancárias.
Em 30 de outubro, em reação à crise financeira internacional, o BC anunciou que a TBC, que estava em 1,58%, passaria a 3,05% ao mês, ou 43,41% anuais. O governo, na época, não se comprometeu com um prazo para a redução da taxa. Entretanto, já em novembro, o BC surpreendeu o mercado anunciando uma redução dos juros de dezembro.
No início desta semana, o ministro da Fazenda, Pedro Malan, anunciou que haveria nova redução em janeiro. Os motivos que possibilitam a queda dos juros são: 1) a percepção de que acabou o risco de a crise na Ásia voltar a contaminar outros mercados emergentes e 2) a recuperação, mesmo lenta, das reservas em dólar do BC.
Efeito tímidoA queda nas taxas de juros determinada pelo governo não deverá ter grande impacto sobre o comércio ainda esse ano, na opinião dos economistas do Conselho Econômico da Associação Comercial do Rio de Janeiro. ‘‘A queda nos juros não vai representar um grande alívio para o consumidor’’, diz o presidente do Banco Fonte-Cindam, Luiz Antonio Gonçalves. O ex-diretor de política monetária do Banco Central, Alberto Furuguen, acredita que a redução nos juros, que deverá continuar, só terá efeito sobre o comércio no primeiro trimestre do ano que vem. ‘‘A queda é muito pequena’’, diz.
Para o presidente da Associação Comercial carioca, Arthur Sendas, a tendência na baixa de juros deve ser acentuada em janeiro. Ele faz coro com os seus colegas de conselho. ‘‘O impacto no comércio vai variar de uma empresa para outra, mas não deve ser muito importante no primeiro momento’’, afirma. Isso quer dizer que a redução não terá um efeito com as mesmas proporções do que foi causado pela elevação dos juros, em novembro.
Recuo do créditoOs financiamentos registraram queda de 50% desde outubro, quando o governo elevou as taxas de juros básicos da economia, segundo levantamento da Associação das Empresas de Crédito, Financiamento e Investimento (Acrefi). O presidente da Acrefi, Manoel de Oliveira Franco, descarta um retorno rápido aos níveis anteriores. ‘‘Não creio que voltemos logo aos patamares de setembro, quando havia uma normalidade no mercado’’, diz.

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