Juro cai menos que o mercado esperava
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 18 de dezembro de 1997
Agência Folha Brasília 
Arquivo FolhaA médio prazoEfeitos da redução das taxas de juros nas compras a prazo só deverão ser sentidos no ano que vem O Banco Central anunciou ontem a queda dos juros no mês de janeiro, que foi menos ambiciosa do que o mercado esperava. A TBC (Taxa Básica do BC) caiu de 2,9% para 2,72% ao mês. A outra taxa para os empréstimos do BC aos bancos, a Tban (Taxa de Assistência do BC), caiu de 3,15% para 3,03% ao mês. Tanto a nova TBC quanto a nova Tban vigorarão no período de 2 a 28 de janeiro.
Analistas como o ex-ministro da Fazenda Maílson da Nóbrega, hoje na Consultores Associados, apostavam em uma taxa entre 2,5% e 2,6% para a TBC. Em termos anuais, a TBC cai de 40,92% para 38% - o que mantém o Brasil como o líder no ranking dos países com as taxas de juros mais altas. A TBC é utilizada nos empréstimos de assistência financeira que o BC faz aos bancos. Assim, ela serve de referência para os juros cobrados nas outras operações bancárias.
Em 30 de outubro, em reação à crise financeira internacional, o BC anunciou que a TBC, que estava em 1,58%, passaria a 3,05% ao mês, ou 43,41% anuais. O governo, na época, não se comprometeu com um prazo para a redução da taxa. Entretanto, já em novembro, o BC surpreendeu o mercado anunciando uma redução dos juros de dezembro.
No início desta semana, o ministro da Fazenda, Pedro Malan, anunciou que haveria nova redução em janeiro. Os motivos que possibilitam a queda dos juros são: 1) a percepção de que acabou o risco de a crise na Ásia voltar a contaminar outros mercados emergentes e 2) a recuperação, mesmo lenta, das reservas em dólar do BC.
Efeito tímidoA queda nas taxas de juros determinada pelo governo não deverá ter grande impacto sobre o comércio ainda esse ano, na opinião dos economistas do Conselho Econômico da Associação Comercial do Rio de Janeiro. A queda nos juros não vai representar um grande alívio para o consumidor, diz o presidente do Banco Fonte-Cindam, Luiz Antonio Gonçalves. O ex-diretor de política monetária do Banco Central, Alberto Furuguen, acredita que a redução nos juros, que deverá continuar, só terá efeito sobre o comércio no primeiro trimestre do ano que vem. A queda é muito pequena, diz.
Para o presidente da Associação Comercial carioca, Arthur Sendas, a tendência na baixa de juros deve ser acentuada em janeiro. Ele faz coro com os seus colegas de conselho. O impacto no comércio vai variar de uma empresa para outra, mas não deve ser muito importante no primeiro momento, afirma. Isso quer dizer que a redução não terá um efeito com as mesmas proporções do que foi causado pela elevação dos juros, em novembro.
Recuo do créditoOs financiamentos registraram queda de 50% desde outubro, quando o governo elevou as taxas de juros básicos da economia, segundo levantamento da Associação das Empresas de Crédito, Financiamento e Investimento (Acrefi). O presidente da Acrefi, Manoel de Oliveira Franco, descarta um retorno rápido aos níveis anteriores. Não creio que voltemos logo aos patamares de setembro, quando havia uma normalidade no mercado, diz.


