Juro cai, mas renda fixa é melhor opção
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domingo, 09 de maio de 1999
Agência Estado 
A semana começa com os juros básicos da economia em 29,5% ao ano, já que o Banco Central (BC) anunciou na sexta-feira a redução da taxa Selic, que estava em 32%. Foi a segunda vez que a autoridade monetária usou o viés de baixa - independentemente de reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que se reuniu pela última vez no dia 14 do mês passado e tem novo encontro este mês.
Mas, ainda que os juros estejam mais baixos, a renda fixa continua atraente para quem tem uma sobra no orçamento e deseja aplicar, uma vez que o rendimento real oferecido por essas aplicações ainda está muito elevado.
O fato de que a desvalorização do real não causou repiques inflacionários relevantes é a principal justificativa para a manutenção da tendência de queda dos juros, diz o diretor-executivo do Banco BMC, Luís Perego. A Fipe, da USP, já trabalha com a expectativa de que o IPC não ultrapasse 7% este ano, abaixo dos 9% projetados nas últimas semanas.
Ainda que aposte na continuidade da trajetória declinante das taxas, ele entende que o investidor não deve optar pelas aplicações prefixadas, que em tese se beneficiam de juros em queda. Perego indica os fundos DI, porque a rentabilidade embutida em aplicações prefixadas já incorpora a expectativa de queda das taxas. Se os juros caírem menos do que previa o mercado, como já ocorreu outras vezes, não terá valido a pena correr risco nos prefixados.
Perego vê com bons olhos o investimento em ações, desde que com perspectivas de médio prazo. Segundo ele, a continuidade de queda dos juros vai beneficiar a lucratividade das empresas nos próximos meses. Além disso, a renda fixa perde atratividade com taxas mais baixas. Nos últimos dias, as Bolsas contaram com a participação do capital estrangeiro. Se esse fluxo se mantiver, esses mercados podem seguir em alta.
Um dos fatores que podem atrapalhar as Bolsas é a CPI dos Bancos. Na semana passada, porém, a impressão era que as investigações estão perdendo força, pois não têm surgido denúncias que comprometam de forma mais decisiva o governo ou outros bancos.


