Juro cai à menor taxa desde setembro
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quarta-feira, 12 de maio de 1999
Agência Estado 
O Banco Central voltou ontem a reduzir a taxa básica de juros, que cai 29,5% para 27% ao ano, a partir de hoje. Ou seja, o BC abrirá suas operações com o mercado já praticando juros 27% ao ano. Por causa da crise da Rússia, em setembro passado, as taxas básicas foram elevadas de 25,75% ao ano para 29,75% e, três dias depois, sofreram novo aumento e pularam para 49,75% ao ano. O novo patamar dos juros, portanto, é o mais baixo desde o período que antecedeu aquela crise.
Um superávit primário do setor público no primeiro trimestre do ano, acima da meta de R$ 6 bilhões constante do acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI), o bom desempenho dos índices inflacionários, que continuam em queda e, ainda, uma forte entrada de capital externo no País nos últimos dias foram os motivos que levaram o Banco Central a rever a redução dos juros que havia sido definida na última sexta-feira.
As explicações foram dadas pelo diretor de Política Monetária do BC, Luiz Fernando Figueiredo, salientando que, embora estas condições já fossem previstas na sexta-feira passada, tanto os dados prelimares do resultado fiscal do setor público como o ingresso dos recursos externos, ficaram mais evidentes no início da semana.
Segundo ele, os dados preliminares do resultado fiscal do primeiro trimestre indicam que há uma folga em relação à meta firmada com o FMI. Sobre o capital estrangeiro, ele destacou que, à medida que os ingressos aumentam, pode ser vista uma melhora qualitativa destes recursos. As taxas anteriores de 29,5% ao ano vigoraram por apenas três dias úteis pois, decididas na última sexta-feira, foram praticadas a partir da segunda-feira passada.
Foi a sexta redução dos juros no prazo de 48 dias. Desde que Armínio Fraga e a nova equipe assumiram o Banco Central, em março passado, e elevaram os juros para 45% já houve uma retração de 18 pontos porcentuais nas taxas.
Figueiredo desconsiderou qualquer possibilidade do governo ter reduzido os juros por causa do arrefecimento da CPI do sistema financeiro que, no momento, ainda investiga os casos dos bancos Marka e FonteCindam.
Ele reforçou que as condições avaliadas pela diretoria do BC foram puramente técnicas, o que permitiu que o presidente da instituição recorresse pela quinta vez à prerrogativa do viés e decidisse pela queda das taxas fora da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom).


