O Copom (Comitê de Política Monetária) decidiu manter a taxa de juros Selic em 19% ao ano, sem viés, ou seja, sem indicação de tendência de queda ou alta. Essa é a quinta vez que a taxa, em vigor desde julho, é mantida. Essa era a expectativa do mercado, que vê sinais de melhora no cenário, mas ainda considera prematuro qualquer movimento de queda nos juros.
Apesar da redução da taxa de câmbio, os economistas avaliam que ainda há sinais ''amarelos'' de alerta pela frente. Esses sinais seriam o preço dos derivados de petróleo em 2002 e o núcleo de inflação no próximo ano.
Além disso, o País ainda não está imune ao contágio da crise argentina, que explodiu ontem com a decretação de estado de sítio no país.
Na quinta-feira da próxima semana, o BC divulgará a ata da reunião do Copom, quando será possível conhecer as razões para a manutenção da taxa.
A série de notícias positivas, principalmente relacionadas à desaceleração da inflação, mas tendo também por base o descolamento do Brasil da situação argentina o que finalmente parece ter sido entendido pelos investidores estrangeiros , tem levado o mercado a estimar uma queda de juros ainda no primeiro trimestre de 2002 ou ao final do período.

Agora, quando aparecem números novos nas estimativas de ajustes de preços para 2002 caso da previsão de aumento de 19,9% nas tarifas de energia, ante os 30% mencionados na última ata do Copom , o mercado refaz suas contas e pensa que os juros podem cair mais rápido. Há previsões, inclusive, de que o preço dos combustíveis possa cair mais de 10% (em razão do preço internacional e também da queda interna do dólar), o que compensaria num grau maior a elevação das tarifas de energia, permitindo espaço para recuo dos juros. Quem sabe, até em fevereiro.

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