Brasília Pouco dinheiro para emprestar, e a alto custo. Este foi o cenário das operações de crédito no mês de julho. Tanto as instituições financeiras quanto os consumidores foram cautelosos com os empréstimos, o que não impediu que as taxas subissem, principalmente para os financiamentos de longo prazo, como os de aquisição de veículos. Quem se arriscou a comprar um carro novo no mês passado pagou, em média, uma taxa de juros de 50,4% ao ano 7,7 pontos porcentuais a mais do que a taxa cobrada no mês de junho.
''A oferta de crédito pelos bancos foi bastante seletiva'', explicou o chefe do Departamento Econômico do Banco Central (Depec), Altamir Lopes, responsável pela divulgação dos dados. Ele disse que, em termos reais, não houve crescimento do volume de crédito, embora tenha ocorrido migração de um tipo de empréstimo para outro, especialmente para as pessoas jurídicas. Pelos dados do BC, o volume total de crédito cresceu 1,7%, passando de R$ 209,5 bilhões, em junho, para R$ 213,1 bilhões, em julho. O crescimento, no entanto, foi apenas aparente porque esse volume inclui as operações vinculadas à taxa de câmbio. Como o dólar teve alta de 20,5% no mês passado, esse movimento inflou o saldo das operações.
Em julho, as empresas buscaram mais crédito na modalidade de capital de giro. As concessões subiram 4% de R$ 259 milhões, em junho, para R$ 269 milhões, em julho. Altamir Lopes atribuiu o aumento da procura por capital de giro à dificuldade das empresas para obter outras linhas de financiamento, como o crédito para exportação.
''Elas substituíram parte das linhas lastreadas em recursos externos por recursos internos'', explicou Lopes. Essa substituição é notada com destaque nos Adiantamentos de Contratos de Câmbio (ACCs), cuja concessão caiu 27% no mês. Em junho, as operações somaram R$ 300 milhões e, em julho, ficaram em R$ 219 milhões.
Para o chefe do Depec, a elevação ocorrida nos juros, apesar da baixa demanda por empréstimos, se explica pelo aumento do custo de captação dos bancos. ''A turbulência do mercado provocou a alta dos juros nas operações de futuro e essa elevação foi repassada pelas instituições para os empréstimos de longo prazo'', explicou. No geral, a taxa para pessoas jurídicas subiu 0,7 ponto porcentual, passando de 42,3% ao ano em junho para 43% em julho. Para pessoas físicas, o crescimento foi de 4,5 pontos, com a taxa média anualizada subindo de 70,4% ao ano para 74,9% de um mês para o outro.
O custo subiu em praticamente todas as modalidades de crédito. Além do aumento de 7,7 pontos no financiamento de veículos, o crédito pessoal para pessoas físicas saltou de 80,8% ao ano, em junho, para 82,8% em julho. A taxa do cheque especial, que já era alta, permaneceu estável, com queda inexpressiva de 0,1 ponto porcentual (158,8% para 158,7%).
Com custo tão elevado, despencou o número de pedidos de empréstimos. Na aquisição de veículos, as operações caíram de R$ 76 milhões para R$ 66 milhões de junho para julho; no crédito pessoal, de R$ 140 milhões para R$ 129 milhões.
Lopes disse que a renda extra que as pessoas físicas tiveram em julho, com a liberação do crédito complementar do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) também contribuiu para reduzir a demanda de crédito. Com mais dinheiro no bolso, as pessoas evitaram assumir compromissos e ainda procuraram abater dívidas. A inadimplência caiu de 4,8% para 4,3% dos contratos de pessoas jurídicas e de 14,9% para 14,6% entre as pessoas físicas.

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