Juro bancário é 'um roubo', diz vice
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 04 de novembro de 2003
Agência Folha 
Rio de Janeiro - As atuais taxas de juros cobradas pelo mercado financeiro foram consideradas ''um roubo' pelo presidente em exercício do País, José Alencar. Segundo ele, são essas taxas que impedem o investimento e o crescimento.
''Enquanto o custo de capital for mais elevado do que aquilo que pode remunerar uma atividade produtiva, não há investimento'', afirmou Alencar. Segundo ele, o Brasil tem os ''spreads' bancários (ganho dos bancos com operações financeiras) mais elevados do mundo. ''Há casos aqui de spreads de 700% sobre a taxa básica'', comentou.
Para Alencar, como as empresas não são estimuladas a tomar recursos para crescer, ocorre uma inibição do crescimento. ''Nós temos que voltar a crescer e para voltar a crescer é preciso que as atividades produtivas remunerem o custo de capital''.
O presidente em exercício disse ontem que nas atuais conversas com o Fundo Monetário Internacional (FMI), o Brasil merece receber um tratamento respeitoso. Segundo ele, o País tem condições mais favoráveis para negociar um novo acordo mais flexível que os anteriores.
''Nós todos que estamos acompanhando o que o Brasil fez, o que há a saber é o seguinte: se há um país que merece tratamento respeitoso por parte do FMI é o Brasil. Esse tratamento respeitoso que merecemos não é por acaso. É pelo comportamento que o Brasil tem adotado'', disse.
José Alencar defendeu uma maior participação dos empresários nas negociações do governo brasileiro em relação a Área de Livre Comércio das Américas (Alca). ''O Itamaraty é ideal para conduzir as negociações, desde que bem assessorado por cada setor de atividade, que conhece produção e mercado'', afirmou.
Para Alencar, o governo precisa ouvir o empresariado para que eles possam competir melhor. ''Então é preciso que nas negociações da Alca haja uma participação efetiva do setor'', disse.
O presidente em exercício ressaltou a importância de uma integração da América Latina com o objetivo de fortalecimento nas negociações da Alca com os Estados Unidos. ''Porque interessa aos Estados Unidos o desenvolvimento da nossa região. E interessa à nossa região aumentar nosso mercado com aquele grande país do Norte'', afirmou.


