Agência Estado
De Brasília
Com uma queda de quatro pontos percentuais em março, as taxas médias de todas as operações de crédito são as mais baixas desde o Plano Real. Estas taxas, que são aquelas cobradas pelos bancos dos consumidores, caíram de 62,3% ao ano para 58,3% no mês passado. A única exceção ocorreu no cheque especial, pois mesmo tendo retraído 7,9 pontos percentuais e passado de 152,7% ao ano para 144,8%, as taxas do cheque especial superam os 138,8% cobrados em dezembro passado.
Nos empréstimos específicos para as pessoas físicas, as taxas de juros passaram de 85,3% ao ano para 78,3% em média. No caso das pessoas jurídicas, a retração na média foi de 49,2% ao ano para 46,1%. ‘‘A queda ocorreu no spread cobrado pelos bancos’’, afirmou o diretor de Política Monetária do Banco Central, Luiz Fernando Figueiredo, referindo-se à diferença entre a taxa de captação e aquela que as instituições cobram dos clientes (o lucro das instituições financeiras).
Nas operações de crédito em geral, o spread caiu de 44,3% para 40,3% ao ano. Mas nos empréstimos para as pessoas físicas a retração foi mais forte e a diferença cobrada pelos bancos passou de 67,4% ao ano para 60,3%. No cheque especial, o spread retraiu de 134,8% ao ano para 126,8%. Nos empréstimos às pessoas jurídicas, a queda foi de 38,3% ao ano para 28,1%.
Ao mesmo tempo em que reduziram as taxas, os bancos também aumentaram o volume de crédito disponível para os empréstimos. Ao divulgar os dados ontem, Figueiredo garantiu que ‘‘claramente está ocorrendo um processo de expansão do crédito’’. Ele atribuiu este crescimento a quatro fatores: o primeiro deles a estabilidade econômica, que gera uma confiança maior em quem empresta e também em quem toma os recursos.
O segundo fator destacado pelo diretor do BC foi a queda da taxa real de juros. Os outros foram a diminuição da inadimplência e a queda do compulsório sobre os depósitos à vista que, no final do mês passado, passou de 65% para 55%. ‘‘As medidas que temos adotado estão surtindo efeito’’, afirmou Figueiredo. Ele disse que o Banco Central continua preocupado com o cheque especial que, embora esteja com as taxas em queda, não tem respondido na mesma proporção das demais operações de crédito.
Ele destacou que ‘‘no cheque especial a concorrência é complicada’’. Mas insistiu que o BC continua analisando medidas que podem ser adotadas para forçar uma queda maior nestas operações. Mesmo com taxas ainda altas, houve um aumento no volume dos recursos emprestados no cheque especial. Até fevereiro, o sistema como um todo tinha um total de R$ 5,656 bilhões disponibilizados no cheque especial. Em março, o valor emprestado chegou a R$ 6,096 bilhões.
O crédito total passou de R$ 56,787 bilhões para R$ 58 730 bilhões, um aumento de 3,2% no mês. Os valores disponibilizados para as pessoas físicas saltou de R$ 21,844 bilhões para R$ 23,484 bilhões. No crédito pessoal, especificamente, os recursos saltaram de R$ 10,296 bilhões para R$ 11,039 bilhões. O crédito disponível para as empresas era R$ 34,943 bilhões em fevereiro e, no mês passado, estava em 35,246 bilhões.Bancos enxugaram margens de lucro. Só o cheque especial tem custo maior para o tomador final do que em dezembro passado
Arquivo FolhaCORTE NA MARGEMFigueiredo, diretor do Banco Central: ‘‘A queda ocorreu no spread cobrado pelos bancos’’

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