A taxa de juro cobrada nas operações de crédito pelos bancos subiu 3,8 pontos percentuais no mês de agosto, registrando uma média de 62,04% ao ano. Os dados foram divulgados ontem pelo Banco Central. Em julho, a taxa média nessas operações estava em 58,24% ao ano. No acumulado do ano, as taxas cobradas pelos bancos cresceram 9,5 pontos percentuais. Em janeiro, a taxa média de juro era de 50,61%.
O ''spread'' bancário (diferença entre a taxa de captação dos bancos e o que é cobrado do cliente) também subiu em agosto, registrando aumento de 3,7 pontos percentuais, para 43,09% ao ano. Em julho, o ''spread'' era de 39,37% ao ano.
A taxa cobrada pelos bancos nas operações de crédito, de 62,04% ao ano, foi a maior desde fevereiro de 2000, quando a taxa era de 62,25% ao ano. Se observadas apenas as operações para pessoas jurídicas, a taxa média chegou a 44,26% ao ano em agosto, a maior desde abril de 2000, quando o juro cobrado pelos bancos estava em 45,68% ao ano.
Nas operações com pessoas físicas, a taxa de juro média cobrada atingiu 74,35% ao ano em agosto, a maior registrada desde junho de 2000, quando a taxa ficou em 76,67% ao ano. O chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes, não considera a elevação das taxas um retrocesso em termos do trabalho que vem sendo feito desde 1999 para redução dos juros e ''spread'' bancário.
Segundo ele, essa alta é motivada por eventos momentâneos, que elevaram a percepção de risco do país e a taxa de juros. ''Quando passar esse cenário mais turbulento, as taxas voltarão a cair'', afirmou.
No entanto, para setembro, as expectativas são piores. Com o atentado terrorista aos Estados Unidos e as incertezas do mercado financeiro, a percepção de risco deve ser ainda maior. Além disso, na última sexta-feira, o BC elevou o recolhimento compulsório dos bancos sobre os depósitos a prazo de zero para 10%. Isso reduz a liquidez dos bancos e acaba tornando os empréstimos mais caros. ''Com o aumento do compulsório, podemos ter uma taxa de juro mais elevada'', avalia Lopes.
O BC informou também que a taxa de juro média cobrada pelos bancos para a utilização do cheque especial por pessoas físicas foi a que apresentou a maior variação no mês de agosto. Ficou em 158,8% ao ano, um crescimento de 8,8 pontos percentuais em relação a julho, quando a taxa era de 150,04% ao ano.

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