Juro bancário cai para 62,4%
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 22 de junho de 2004
Agência Folha 
São Paulo - Os juros cobrados pelos bancos nos empréstimos concedidos a pessoas físicas atingiram o nível mais baixo em dez anos, segundo o Banco Central (BC). No mês passado, a taxa média ficou em 62,4% ao ano, a menor desde que o BC começou a fazer esse tipo de levantamento, em julho de 1994.
''É claro que a taxa ainda é elevada. Mas estamos no caminho da redução'', diz o chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes. Em abril, os juros médios dos empréstimos a pessoas físicas estavam em 63,3% ao ano. Desde abril, a taxa básica de juros (Selic) está fixada em 16% ao ano pelo Banco Central.
Lopes afirma que uma das principais explicações para a queda dos juros bancários é o aumento na procura pelo chamado empréstimo em consignação, em que os pagamentos da dívida são descontados diretamente na folha de pagamento. Nessa modalidade de crédito, segundo o BC, os juros são de 39% ao ano, devido ao menor risco de inadimplência.
Entre os principais tipos de financiamento, o cheque especial foi um dos únicos a registrar uma ligeira elevação, passando de 140,2% ao ano para 140,5%. Foi o primeiro aumento ocorrido desde abril do ano passado. Lopes afirma que esse movimento foi ''pontual'' e não deve ser entendido como uma tendência de alta das taxas.
No caso dos financiamentos obtidos por empresas, os juros permaneceram estáveis: entre abril e maio, a taxa média passou de 29,9% ao ano para 30,0%. De acordo com Lopes, esse movimento é reflexo da alta de 6,26% registrada pelo dólar no mês passado, pois muitos empréstimos contraídos por pessoas jurídicas são corrigidos pelo câmbio.
O total de empréstimos oferecidos pelos bancos em maio cresceu 3,6% em relação a abril, segundo o BC. O volume de crédito disponível no País chegou a R$ 248,8 bilhões no mês passado. O valor não inclui os chamados empréstimos direcionados, que os bancos são obrigados pelo governo a conceder - como no setor agrícola e habitacional, além daqueles oferecidos pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
Esse crescimento se explica, em parte, pela alta do dólar ocorrida no período, que acaba por aumentar o estoque, em reais, dos financiamentos corrigidos pela taxa de câmbio.


