São Paulo - O cenário de elevação da taxa básica vai enfraquecer a caderneta de poupança na disputa pelas economias do brasileiro. Não que o retorno da poupança não seja também beneficiado com a alta dos juros. Mas a vantagem que ela havia adquirido no ano passado vai deixar de existir em um futuro próximo.
Quando a taxa básica desceu abaixo de 10%, em junho de 2009, analistas apontaram que muitos fundos DI e de renda fixa passariam a dar retorno líquido menor que o oferecido pela poupança. Isso porque os fundos cobram taxa de administração, além da alíquota do IR. E a poupança é isenta. ''A poupança vai perder nos próximos meses parte de sua atratividade. Daqui a algum tempo, fundos que cobrem taxa de administração de 2%, 2,5% voltarão a dar retorno líquido igual (ao da caderneta)'', disse Aquiles Mosca, estrategista do Santander Asset Management.
Em termos de retorno bruto - sem descontar taxas e impostos -, a poupança nunca superou os fundos. No ano passado, a poupança deu rentabilidade bruta de 6,92%, enquanto os fundos DI pagaram, na média, 10,40%. Todavia, depois da alíquota de IR, apenas um fundo que cobrasse taxa de administração em torno de 1% conseguiria rende mais que a caderneta. ''Veremos agora o inverso do que ocorreu em 2009. A cada reunião do Copom, a poupança deve ficar menos competitiva'', afirma Fabio Colombo, administrador independente de investimento.
No ano passado, em consequência da vantagem que havia adquirido, os depósitos na caderneta superaram os saques em R$ 30,4 bilhões, sendo esse o segundo melhor resultado da série histórica iniciada pelo BC em 1995. No primeiro bimestre deste ano, o ritmo se manteve forte, com a entrada de novos R$ 4,95 bilhões. Já em março, a poupança começou a dar sinais de esgotamento e captou apenas R$ 538 milhões, segundo dados do BC. ''A pressão de concorrência que a poupança vinha exercendo entre as aplicações vai esfriar cada vez mais'', diz o especialista Mauro Calil.

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