A elevação das taxas de juros, promovida pelo governo na sexta-feira poderá até amenizar o aumento de desemprego, afirmou ontem o ministro do Trabalho, Edward Amadeo. ‘‘Paradoxalmente, é possível que o aumento dos juros básicos para o sistema financeiro tenha reflexo positivo sobre o nível de emprego’’, admitiu o ministro, que se disse ‘‘muito à vontade’’ para levantar esta hipótese.
Afinal, lembrou ele, na semana passada, faltando 30 dias para as eleições, anunciou que estava revendo para pior as suas expectativas quanto ao desemprego no final do ano. ‘‘Não vamos esconder nada da Nação,’’ enfatizou.
Para ele, a incerteza que tomou conta do País na última semana era mais danosa do que a elevação concreta das taxas de juros. Se, com a medida, a confiança no País for retomada e ‘‘recriada a normalidade’’, melhoram as condições para a geração de empregos.
Amadeo disse que vislumbra a possibilidade de um impacto positivo sobre o nível de emprego, mas que de qualquer forma mantém as expectativas anunciadas na semana passada: uma taxa de desemprego por volta de 7% em dezembro, quando antes operava com duas hipóteses - uma otimista, com a taxa em torno de 6%, e outra pessimista, de 7%.
A primeira foi, portanto, deixada de lado. Com isso, para 1998, fechado, Amadeo passou a estimar um desemprego médio dois pontos percentuais acima do registrado no ano passado, de 5,66%. ‘‘Avisei que o desemprego ia cair mais lentamente do que o esperado, embora não haja nenhuma estatística sobre o mercado de trabalho a ser anunciada até as eleições que expresse a situação, menos favorável do que imaginávamos, destes próximos três meses’’, disse Amadeo.
Para o ministro, isso significa que o governo faz questão de ser transparente, independentemente de estarem evolvidas questões favoráveis ou não. A pesquisa mensal de emprego do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) é divulgada com uma defasagem de quase dois meses - assim, a próxima se refere a agosto e será conhecida somente às vésperas das eleições.

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