Arquivo FolhaAbaixo da médiaNardelli esperava exclusão de 100 mil pessoas dos registros do SCPC, mas menos de 18 mil ‘‘limparam o nome’’A campanha de recuperação do crédito deflagrada no mês passado frustrou as expectativas da Associação Comercial do Paraná que esperava uma recuperação da ordem de 25% dos créditos. A meta pretendida não foi atingida e, pelo contrário, durante o mês de novembro houve até queda na procura para limpar o nome no SCPC. Se o pagamento de dívidas ficou aquém do esperado, as vendas no comércio também foram desanimadoras em novembro, com uma queda de 16,67% nas consultas ao SCPC, um indicador das vendas no comércio.
Esse é o primeiro reflexo da alta dos juros no comércio, afirmou o vice-presidente da Associação Comercial do Paraná, Luiz Valdir Nardelli, que divulgou ontem o resultado parcial da campanha de recuperação do crédito e o movimento do comércio durante o mês de novembro em 14 municípios da grande Curitiba.
Segundo Nardelli, logo após a divulgação do pacote fiscal, no dia 30 de outubro, o comércio ficou paralisado nos primeiros 15 dias de novembro. Depois disso é que recomeçaram as vendas com o registro de 282.891 consultas, o que ainda provocou desempenho satisfatório em algumas áreas. As mais beneficiadas foram vestuário e tecidos, que registrou aumento de vendas da ordem de 27,07%; de calçados, com 1,55% de aumento nas vendas; e de plásticos e pequenos presentes, com 25,84% de vendas superiores em relação ao mês anterior. Este resultado indica que neste Natal terão vez apenas os presentes de baixo valor, como calçados, perfurmaria, lingerie, CDs e brinquedos baratos.
As áreas que tiveram desempenho negativo foram as financeiras, com um movimento em novembro 25,96% inferior ao mês anterior. Depois seguem os bancos, com redução de 21,12%; lojas de departamentos com queda de 21% nas vendas; ótica, cine e foto com redução 17,73%; eletrodomésticos com 16,66%; móveis, 14,26% e material de construção com queda de 7,13% nas vendas.
Na campanha de recuperação dos créditos, Nardelli afirmou que a ACP esperava no mínimo uma exclusão de 100 mil pessoas dos arquivos do SCPC, mas a pesquisa aponta que apenas 17.946 pessoas limparam seu nome, o que representa uma queda de 23,10% em relação ao mês anterior, quando a campanha ainda não tinha sido lançada.
Apesar do índice ainda elevado, o nível de inadimplência apresentou uma queda em novembro de 12,04%, com registro de 36.298 pessoas devedoras, totalizando 397.052 pessoas inadimplentes nos últimos cinco anos. Para Nardelli, esse resultado representa que as pessoas estão reduzindo a procura por compras a crédito. Isso porque há um excesso no endividamento da população por um lado e por outro, as pessoas compraram muito no crediário nos últimos dois anos e algumas necessidades já estão supridas, justificou. Nardelli frisou que a queda nas vendas não foi provocada pelo conjunto de medidas restritivas, mas sim pela alta dos juros.
Para Nardelli, o resultado desanimador da campanha comprova que o consumidor está sem dinheiro para pagar suas contas. A primeira parcela do 13º salário não foi usada para pagar as contas e agora as expectativas recaem sobre o pagamento da segunda parcela. Se isso não ocorrer, a diretoria da ACP espera ainda que no decorrer dos primeiros meses de 1998 as pessoas cumpram suas obrigações e quitem seus débitos junto ao comércio.

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