Juro alto eleva déficit acima da meta acertada
A alta das taxas de juros fez o déficit nominal do setor público subir para 8,42% do PIB (Produto Interno Bruto, total dos bens e serviços produzidos no país) nos 12 meses encerrados em outubro. Esse déficit significa que, no período entre novembro de 1997 e outubro de 1998, os gastos da União, dos Estados, dos municípios e das empresas estatais superaram as receitas em R$ 75,729 bilhões. Em setembro, o déficit estava em 8,33% do PIB.
O resultado de outubro está acima da meta do acordo com o FMI para o fim do ano, que impõe um teto de R$ 72,879 bilhões. Mesmo assim, o chefe do Departamento Econômico do Banco Central, Altamir Lopes, acha possível cumprir a meta. As perspectivas são bastante positivas, disse.
Lopes afirma que, de janeiro a outubro de 1998, as despesas superaram as receitas em R$ 56,393 bilhões. Assim, haveria uma margem de R$ 16,486 bilhões para atingir o teto de R$ 72,879 bilhões imposto pelo acordo com o FMI. Pelas contas de Lopes, essa margem permite que em novembro e dezembro ocorram déficits médios mensais de até R$ 8,243 bilhões - resultados que, segundo sua expectativa, poderiam ser obtidos com uma esperada contenção dos gastos de Estados.
Para ele, as despesas foram mais altas até outubro devido aos gastos do período eleitoral. Passada a eleição, diminui a pressão para gastos, como investimentos. Além disso, os Estados esgotaram a reserva de caixa e agora não podem mais se endividar.
A meta se frustrará, entretanto, caso se repitam os resultados negativos registrados em setembro e outubro de 1998, quando o déficit mensal foi de R$ 9,217 bilhões e R$ 8,585 bilhões, respectivamente. O déficit foi particularmente negativo nesses dois meses devido à alta de juros promovida pelo BC em setembro de 1998 para enfrentar a fuga de dólares na crise russa.
Isso fez o gasto mensal com juros da dívida pública saltar da média de R$ 5,5 bilhões dos meses anteriores para R$ 7,105 bilhões, em setembro, e R$ 7,775 bilhões, em outubro. Para os meses seguintes, é esperado que se repitam gastos mais altos com juros.





