Juro alto é tiro no pé, diz FHC
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terça-feira, 03 de março de 1998
Agência Estado 
Ney de Souza/Arquivo FolhaDever de casaO presidente Fernando Henrique: Se os juros não tivessem subido, já teríamos feito como na Ásia, devalorizando a moeda e provocando inflação. Fizemos o que tínhamos que fazerO presidente Fernando Henrique Cardoso voltou a defender a redução nas taxas de juros. É claro que a taxa de juros têm que abaixar, senão é um tiro no pé, comentou. Para o presidente duas categorias sofrem mais com a manutenção das taxas nos atuais patamares: os governos, que lançam títulos com juros altos, e os consumidores. O governo paga muito com estas taxas de juros, insistiu o presidente durante trecho de uma entrevista de 45 minutos concedida à reportagem do Canal 23 (exclusivo para assinantes de TV a Cabo de Belo Horizonte) na última sexta-feira (27).
Na entrevista, que foi ao ar somente na noite de ontem, a partir das 21h30, Fernando Henrique insistiu que as taxas de juros não estão baixando em um ritmo mais acelerado porque elas não subiram por maldade, (subiram) como defesa, disse. Se elas (taxas de juros) não tivessem subido, já teríamos feito como na Ásia, ou seja, não sobe, desvaloriza a moeda, em seguida sobe a taxa de juros em seguida vem a inflação. Nós fizemos o que tínhamos que fazer, o dever de casa certo, comentou.
A expectativa do presidente é de uma redução progressiva. Eu espero que esta semana se possa baixar mais ainda. Porque que eu digo eu espero e não eu mandei, porque o presidente não manda no mercado, explicou.
Para Fernando Henrique, é preciso considerar uma série de variáveis para se fazer esta redução. É preciso ver o que está acontecendo na Ásia, nos Estados Unidos, na nossa dívida, como está o fluxo de capital; é um conjunto muito complexo de variáveis, avalia. Eu tenho a expectativa de que na média, no ano corrente, nós tenhamos uma taxa de juros equivalente à do ano passado, o que significa baixar bastante agora, completou.


