São Paulo Os altos juros e a retração da renda do trabalhador são as duas principais componentes que estão sufocando as Micro e Pequenas Empresas (MPEs) brasileiras, analisa o coordenador da Pesquisa de Conjuntura do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas de São Paulo (Sebrae-SP), Marco Aurélio Bedê.
''Nas micro e pequenas empresas, o impacto do corte da Selic demora um pouco mais do que a média de seis meses dos outros setores da economia'', comentou. ''Como as vendas das micro e pequenas empresas são muito concentradas em produtos básicos, serviços e comércio, há uma dependência intensa do consumo doméstico e, como a renda domiciliar está muito comprometida, essa união de juros altos e renda baixa é fatal para as micro e pequenas empresas'', sustentou.
Em agosto, segundo a pesquisa, o faturamento real das MPEs no setor de comércio apresentou recuo de 21,7% na comparação com o mesmo mês do ano passado, tomando como deflator o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em relação a julho, a queda foi de 2%. ''Não fosse o Dia dos Pais, não sabemos o que seria de agosto'', admitiu.
Apesar dessa retração de faturamento, o emprego do setor comercial apresentou leve alta, com variação positiva de 2,3%, nada expressivo, segundo o coordenador. ''A média de empregados por unidade do comércio é baixa e esse crescimento não significa grande impacto de contratações'', explicou.
Em mão inversa, as micro do setor industrial demitiram. O pessoal ocupado do setor caiu 4,2% entre os meses de agosto de 2002 e de 2003. O faturamento real no período caiu 14%, mas Bedê destacou o ''alento'' de ter estabilizado em 1,1% em agosto em relação à julho. ''Isso é efeito das exportações, porque as micro são fornecedoras da cadeia'', justificou.
O coordenador da pesquisa projetou um futuro otimista para as microempresas no curto prazo, especialmente porque deverão colher em novembro e dezembro os resultados positivos da redução da Selic pelo Banco Central, iniciada em junho, além, evidentemente, da expectativa de novas quedas nos próximos meses. ''Há efeitos psicológicos e reais nesse caso porque, com o corte da Selic, as prestações ficam mais baixas e cabem no salário do trabalhador'', argumentou.
Ele ressaltou que as campanhas salariais das categorias com data-base no segundo semestre deverão promover retomada, pelo menos em parte, do poder aquisitivo dos salários.

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