Juro alto é incompatível com globalização, diz FHC
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quinta-feira, 28 de novembro de 1996
Agência Estado 
JOANESBURGO - O presidente Fernando Henrique Cardoso (foto)atacou ontem as taxas de juros cobradas no Brasil, que são duas a três vezes maiores que a dos demais países. Isto é incompatível com a globalização da economia, afirmou, durante um encontro com cerca de 90 empresários brasileiros, no Hotel Carlton. As taxas de juros vigentes no Brasil situam-se em 13% ao ano, em termos reais, mesmo nível das taxas de juros da África do Sul, segundo Fernando Henrique.
O presidente acrescentou que as taxas de juros no Brasil só terão uma queda significativa depois que o Congresso aprovar as reformas constitucionais. Ele propôs que os empresários convençam as bancadas de seus Estados a aprovarem logo as reformas. Se as reformas não forem aprovadas, o Brasil perderá vantagens no processo de globalização da economia, argumentou, usando a demora na regulamentação da Lei de Cabotagem como exemplo (a lei foi aprovada ontem na Câmara).
Fernando Henrique Cardoso pediu também que os empresários façam um esforço para exportar mais. Ele comparou o desempenho do Brasil com o da África do Sul no comércio exterior. O Brasil exporta menos de 10% do Produto Interno Bruto (PIB), enquanto a África do Sul vende para o exterior o equivalente a 40% do PIB.
Informado de que uma pesquisa feita em Minas Gerais indicou que 44% dos mineiros aprovam a venda da Companhia Vale do Rio Doce, o presidente disse que nunca confundiu o pensamento dos mineiros. Ele acrescentou que tem mais apoio em Minas Gerais do que em São Paulo. Viu, governador?, disse, dirigindo-se ao vice-governador paulista Geraldo Alckmin, que estava com os empresários.
Os empresários brasileiros tiveram uma reunião com cerca de 200 empresários sulafricanos. Entre eles, estavam representantes da Sadia, Marcopolo, Randon, e General Motors, e de empresários do setor de construção civil. O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luiz Carlos Mendonça de Barros também participou da reunião.


