São Paulo - Duas grandes metas estabelecidas no programa de incentivo à indústria, denominado Política de Desenvolvimento Produtivo (PDP), dificilmente serão alcançadas até 2010. Uma é ampliar os investimentos de 17,6% para 21% do Produto Interno Bruto (PIB) e a outra, expandir a participação do Brasil nas exportações mundiais de 1,18% para 1,25%. É o que indica estudo elaborado pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), obtido pela reportagem.
De acordo com José Ricardo Roriz Coelho, diretor do Departamento de Competitividade e Tecnologia da entidade, a combinação de carga tributária elevada, juros em alta e câmbio ''derretendo'' tende a inviabilizar as metas definidas pelo governo. ''Nossas projeções mostram que a taxa de investimentos não deverá passar de 19%'', diz Roriz Coelho.
Pelo estudo da Fiesp, a destinação de R$ 210,4 bilhões do orçamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para financiamentos à indústria e serviços, como prevê a nova política industrial, fará a participação do banco nos investimentos totais da economia crescer de 3,9%, registrados no período de 2003 a 2007, para 8,8%, até o fim do governo Lula, o que representa salto de 126%. Para atingir 21% do PIB, segundo a entidade, os investimentos fora do BNDES precisariam crescer num ritmo ainda maior.
Na avaliação da diretor da Fiesp, as medidas de incentivo a investimentos previstas no PDP são positivas, o plano é muito bem fundamentado e o seu processo de gestão é muito melhor em relação ao da política industrial do primeiro mandato do presidente Lula. Apesar disso, ressalta que setores que ficaram de fora, e mesmo alguns que foram incluídos, podem investir menos, por causa da atual política macroeconômica.

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