São Paulo - O presidente do Ipea, Márcio Pochmann, afirmou que é mais preocupante a possibilidade do Banco Central adotar um novo ciclo de aperto monetário, como foi sinalizado nas atas das reuniões de janeiro e março, do que o atual ritmo de expansão do consumo e da concessão de crédito que poderia provocar um eventual aumento da inadimplência. ''Eu não identifico elementos que possam estimular a inflação, pelo contrário. No atual estágio, o avanço dos investimentos é a melhor política anti-inflacionária, pois amplia a capacidade de produção das empresas e eleva a oferta de mercadorias'', comentou.
Para Pochmann, se o Banco Central elevar de fato os juros no curto prazo, o atual estágio de crescimento do País pode ser afetado, o que pode levar o Brasil novamente à trajetória de expansão baixa do PIB registrada nas duas últimas décadas. ''Se tivermos um cenário de elevação da taxa de juros poderíamos ter uma situação forçada de inadimplência. Isso significaria menor projeção de emprego e maior custo para o pagamento das dívidas contraídas (pelas famílias)'', afirmou. ''E isso poderia provocar uma crise de inadimplência que não temos hoje.''

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