Curitiba – O vice-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Ilmar Galvão, relator do habeas corpus concedido em caráter liminar ao ex-dirigente do Banco Nacional Marcos Catão de Magalhães e outros seis ex-diritores da instituição, disse ontem em Curitiba que eles foram liberados pelo STF porque não há como provar o envolvimento dos acusados em gestão fraudulenta, formação de quadrilha e inserçção de elementos falsos nos demonstrativos contábeis do banco. ‘‘Os juízes não têm preparo para analisar o balanço financeiro da instituição’’, justificou.
‘‘Há casos cuja complexidade escapa à alçada de quem se forma em Direito. Quem vai analisar o balanço financeiro é um perito, que vai passar seu parecer ao juiz. Por que o perito já não julga a matéria?’’, disse. Para o ministro, é muito mais fácil julgar um sequestro, por exemplo, do que crimes do colarinho branco. ‘‘É por isso que aquela frase que diz que só pobre vai para a cadeia faz sentido’’, disse em tom de brincadeira.
Galvão contou que trabalhou no Banco do Brasil e que a instituição também passou por dificuldades financeiras, já que a maioria das agências dava prejuízo. ‘‘Isso também pode ter acontecido no caso do Nacional’’, afirmou.
O ministro esteve ontem em Curitba falando sobre o ‘‘Poder Judiciário e a Evolução Institucional do Brasil’’. Na visão dele, a crise no Judiciário, cujo julgamento de processos se arrasta por anos, só será amenizada quando os processos diminuirem à medida que forem introduzidas novas regras para facilitar o julgamento dos mesmos. ‘‘Lá no Supremo estamos aplicando a mesma jurisprudência para casos semelhantes’’, exemplificou.

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