A Semana Nacional de Conciliação, proposta pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), não tem a participação dos juízes da Justiça Federal e da Justiça do Trabalho este ano em todo o Brasil, assim como dos procuradores do trabalho do Ministério Público do Trabalho. Enquanto o objetivo do CNJ é reduzir o grande estoque de processos na justiça brasileira chamando processos passíveis de acordo, o intuito dos magistrados é chamar a atenção do CNJ para a necessidade de fortalecimento da própria magistratura. Por este motivo, os magistrados também fazem dois dias de paralisação no Paraná. Hoje é o segundo dia.
Os juízes também discordam do cunho da campanha. ''Nós da Justiça do Trabalho sempre fizemos a conciliação, que não se restringe a uma semana. É de todo dia e de toda hora, algo próprio da Justiça do Trabalho'', explica o juiz Sergio Guimarães Sampaio, diretor de Comunicação da Associação dos Magistrados do Trabalho do Paraná - Amatra IX. ''Estamos utilizando este momento para chamar a atenção de que o Judiciário não se fará forte apenas com este tipo de campanha, publicidade, propaganda, mas com fortalecimento das garantias previstas na constituição aos juízes e a todo o Judiciário.''
Uma destas garantias, segundo Sampaio, é a remuneração. ''Já se vão seis anos e só tivemos 9% de recomposição salarial. E há uma inflação que beira os 40%. Nenhum trabalhor resistiria a esta perda de poder de compra.'' Para o juiz, as restrições de atividades impostas ao magistrado intensificam a situação. ''Nós não podemos exercer outra profissão, a não ser de professor em outras instituições, não podemos exercer atos de comércio, não podemos nos filiar a partidos políticos, não podemos nos candidatar a cargo político. Nós estamos sujeitos a uma quarentena.'' Para Sampaio, no entanto, a questão da remuneração é apenas a ''ponta do iceberg''.
Marcelo Adriano da Silva, procurador do trabalho do Ministério Público do Trabalho (MPT), afirmou que o órgão, assim como a Associação Nacional dos Procuradores do Trabalho (ANPT), também está envolvido com a ação. '' O Ministério Público do Trabalho tem paridade com juízes do trabalho federais em termos de remuneração, e nós estamos com o mesmo problema de desrespeito à constitução com relação à garantia de irredutibilidade do valor dos subsídios mediante a recomposição anual das perdas inflacionárias'', declarou. No caso do MPT, a ação foi batizada de ''Semana de Valorização do Ministério Público do Trabalho''.
O movimento também fará atos públicos em Curitiba. Nos demais dias da semana, haverá audiências e sessões mas sem registro de acordos, que poderão ser homologados posteriormente.

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