Juíza decreta concordata da indústria Todeschini
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terça-feira, 19 de agosto de 1997
Carmem Murara Curitiba 
A empresa de massas e biscoitos Todeschini - terceira maior do País - está desde ontem em processo de concordata. O pedido de moratória da dívida foi aceito na última segunda-feira pela juíza da 3ª Vara da Fazenda Pública, Anny Mary Kuss Serrano. A empresa terá dois anos, a partir deste mês, para pagar a dívida de cerca de R$ 10 milhões.
No primeiro ano a empresa terá de quitar 60% dos débitos, que serão corrigidos com juros menores que os praticados pelo mercado financeiro. O principal credor é a Moinhos Santista.
A Todeschini entrou com pedido de concordata na quarta-feira da semana passada. No processo, a empresa alega que não conseguiu suportar a alta incidência dos juros bancários. O advogado da Todeschini, Johnson Sade, explicou que a empresa se endividou quando investiu R$ 22 milhões na compra de maquinários, que serviriam para ampliar a capacidade de produção.
A dívida seria paga com a venda do excedente produzido, mas houve um atraso de um ano e meio na instalação dos equipamentos. Sem as máquinas não houve aumento da produção e por isso não foi possível cumprir os prazos de pagamento, afirmou Sade. A Todeschini começou a pagar juros que chegavam até a 10% ao mês.
A concordata da Todeschini deve interromper uma sequência de prejuízos mensais, que estavam acontecendo desde o final de 96. A empresa fechava o mês com um saldo negativo em torno de R$ 700 mil a R$ 800 mil.
A Todeschini é considerada uma das últimas empresas familiares do Estado. Foi fundada em 1885 pela família Todeschini. Hoje, cerca de mil funcionários trabalham na fábrica, em Curitiba. Nos últimos dois meses, a Todeschini produz uma média de 1,6 tonelada de bolachas e 3,3 toneladas de massas.


