A juíza substituta de Ibiporã (13 km a leste de Londrina), Manuela Tallão, aceitou o pedido de concordata preventiva da PVC Brazil Indústria de Tubos e Conexões Ltda, instalada no parque industrial daquela cidade. Com dívidas de R$ 52,6 milhões, a empresa propõe aos credores e instituições bancárias o pagamento em 24 meses. O pedido de concordata foi protocolado no Fórum na semana passada, quando a empresa demitiu cerca de 50 funcionários.
Instalada há 15 anos em Ibiporã, a PVC Brazil é de propriedade do empresário londrinense Iran Campos, ex-diretor do Londrina Esporte Clube (Lec) e ex-sócio do Londrina Junior Team. O sócio dele na empresa é Carlos Henrique Fadel. Eles foram procurados pela Folha, mas não retornaram as ligações.
De acordo com o processo no Fórum, a empresa deve R$ 52.636,748,49 para credores quirografários (que não tem garantia). Desse total, R$ 30,8 milhões são de dívidas com fornecedores e o restante com bancos e entidades financeiras. Entre os maiores credores estão Trikem S/A, com sede em São Paulo (R$ 12 milhões), a ABT Trading Inc, de Miami (R$ 1,7 milhão), a Hamburg Biesterfeld Siemsgluss International, da Alemanha (R$ 2 milhões). Existe ainda dívidas em pequenos valores com empresas de Ibiporã, Londrina, Curitiba, Arapongas entre outras cidades do Estado. Para a Viação Garcia, por exemplo, a empresa deve R$ 35,00.
Os donos da empresa propõem pagar 40% da dívida no final de 12 meses e 60% no final de 24 meses. Ambas as parcelas acrescidas de juros de 6% ao ano, conforme prevê parágrafo do artigo 163 da Lei de Falência em vigor no País. De acordo com a juíza, o pedido de concordata é para evitar a falência. ''A partir de agora, os credores não podem entrar com pedido de falência e a empresa continua com as suas atividades normalmente. A falência só será decretada se a empresa descumprir o que foi proposto'', explica a juíza, acrescentando que, pela lei atual, a empresa não pode pedir nova concordata no prazo de 5 anos.
No processo, a A PVC alega que o pedido de concordata é a'' única alternativa para viabilizar sua sobrevivência e a continuidade de sua função econômica e social''. Afirmou ainda que a empresa nunca atrasou salários ou emitiu cheques sem fundos. ''Apesar de todas as dificuldades, a impetrante vem mantendo seu giro comercial e seu quadro de pessoal que conta com 325 funcionários'' afirma a petição. No entanto, o Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Material Plástico (Sintraplast) avalia que as demissões na empresa podem chegar a 130.

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