Juiz manda prender empresário que vendeu importado irregular
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sexta-feira, 31 de janeiro de 1997
Sucursal de Curitiba 
A Polícia Federal está atrás do empresário Paulo Ribeiro, sócio da ITS Importação e Exportação de Máquinas e Equipamentos Ltda. Sua prisão preventiva foi pedida segunda-feira pelo juiz Sérgio Arenhardt Filho, da 6ª Vara Federal. A decisão foi tomada após Ribeiro ter vendido um carro importado que tinha sido entregue a ele como fiel depositário. A Receita Federal investiga a possibilidade de a empresa ser apenas de fachada e estar sonegando impostos.
O processo que investiga a ITS está na Promotoria de Defesa do Patrimônio Público, do Ministério Público. Entre os indícios apurados, segundo o processo, está a possibilidade de Ribeiro ser apenas um testa-de-ferro da empresa, que pertenceria ao empresário Gilberto Menezes. Menezes foi um dos donos da loja de revenda de carros importados Dream Car, que hoje está desativada. Os sócios da Dream Car respondem processos criminais por importação irregular.
A ITS estava importando carros com base emliminar concedida pela própria 6ª Vara Federal. Em agosto de 95, a empresa entrou com mandado de segurança que pedia a redução de 70% para 35% na alíquota de importação. Arenhardt acatou o pedido na condição de a empresa apresentar uma lista de documentos: certidão de negativa de débitos, certidão do Ibama atestando que os carros respeitavam as leis ambientais e ainda os documentos exigidos pelo Detran.
Segundo constatou a Receita Federal, a empresa teria apresentado alguns documentos falsos para vender os carros. A RF constatou que o número de uma certidão de débito apresentada era igual ao número da empresa Pássaro Agência de Viagem e Turismo Ltda. A ITS poderia estar usando um documento frio.
A ITS também não reuniu as provas exigidas para vender um Mercedes-Benz C280, ano 96. Este carro ficou com a venda proibida por não ter documentação necessária. Para evitar que ficasse preso no Porto de Paranaguá, pagando taxas portuárias, o juiz permitiu que Paulo Ribeiro ficasse como depositário fiel do bem. Mas ele não acatou a decisão do juiz e vendeu o Mercedes para Ademir Adão Lodetti, que mora em Chapecó (SC).
O juiz determinou que o carro seja recuperado. Se for encontrado, o comprador perde o direito sobre o veículo, já que ele estava em situação irregular no momento da venda. A Folha não onseguiu localizar o comprador.
Paulo Ribeiro também não foi encontrado. Ele não está no endereço que deixou registrado na 6ª Vara Federal. Os telefones que aparecem no processo como sendo da ITS não pertencem à empresa. (Carmem Murara)


