Rio de Janeiro - O juiz que conduz o processo de recuperação judicial da Varig, Luiz Roberto Ayoub, descartou ontem a possibilidade de decretação de falência da companhia. Segundo ele, o administrador judicial no processo - a consultoria Delloite - e a empresa contratada para a reestruturação da empresa, a americana Alvarez&Marsal, indicam que é viável a recuperação. ‘‘Eu lamento que estejam antecipando decisões que o juiz nem pensou’’, afirmou Ayoub, durante entrevista coletiva à tarde. Ele esclareceu que trabalha com a possibilidade de falência desde o início do processo de recuperação, mas não há motivos no momento para isso. ‘‘Marcaram até data (de eventual paralisação), só esqueceram de me avisar. A empresa sofre turbulências muito em função de notícias desencontradas’’, disse.
  As declarações do juiz acontecem praticamente duas semanas depois de uma sucessão de notícias e versões sobre um possível colapso da companhia aérea. Na parte da manhã, a mesma mensagem havia sido transmitida ao presidente da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), Milton Zuanazzi. O comandante da Anac e o juiz do caso reuniram-se por três horas no Tribunal de Justiça do Rio.
  ‘‘Não serei irresponsável em pôr fim a uma empresa que ainda se mostra viável’’, reforçou. O juiz explicou que um dos motivos da vinda de Zuanazzi ao Rio era o ‘‘noticiário desencontrado’’. ‘‘Temos de conversar. Eles (a Justiça) estão dirigindo o processo de recuperação judicial e nós somos o poder concedente’’, afirmou o presidente da Anac, ao fim do encontro, do qual participaram também representantes da Deloitte e da Alvarez&Marsal.
  Na prática, agência e Justiça tentam uma convergência. Ayoub afirmou que a Anac quer se aproximar. ‘‘Até porque em qualquer decisão no futuro, seja num sentido ou no outro, todos temos de convergir’’, afirmou. Zuanazzi disse, ainda, acreditar que a Varig tem saída. ‘‘Acredito sim, já tenho declarado’’, respondeu, ao ser questionado.
  O presidente da Anac informou que a agência está analisando a compra da VarigLog pela Volo Brasil, que tem participação acionária do fundo americano Matlin Patterson, e vai analisar a proposta de compra da Varig pela ex-subsidiária. Não adiantou, contudo, sua opinião sobre o assunto.
  Ontem, reestruturadores da Varig foram ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) discutir alternativas de participação do banco numa solução de mercado para a Varig, como uma participação num fundo que deverá ser registrado na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) esta semana ou numa eventual cisão da empresa, financiando o comprador. O encontro foi com a equipe de mercado de capitais do banco.
  O dia foi nervoso na Justiça. Enquanto o juiz da Vara Empresarial reunia-se com os reestruturadores da empresa e a equipe da Anac, advogados da BR Distribuidora aguardavam na porta do prédio, com receio de ser decidida uma liminar eventualmente obrigando a estatal a dar prazo para a Varig, o que não ocorreu. O juiz informou que não havia recebido pedido nesse sentido até o início da noite. Caso a decisão seja tomada, advogados da BR informaram que deverão recorrer.
  Na Varig, o conselho de administração analisava a proposta da VarigLog, que também já começou a ser apresentada aos credores. Um representante sindical informou que a nova proposta prevê que parte do pagamento da dívida repactuada com o Aerus seria assumida. Ainda assim, a proposta sofre críticas dos trabalhadores. Funcionários da empresa reuniram-se com a direção da VarigLog em São Paulo. Hoje, dirigentes da Volo Brasil, dona da VarigLog, irão a Brasília discutir o assunto com o governo, segundo sindicalistas.

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