O juiz da 10 Vara Federal em Curitiba, Fried mann Anderson Wendpap, es tuda uma nova avaliação do preço mínimo da Companhia Pa ranaense de Energia (Copel). O valor estipulado para a venda da estatal, de R$ 5,068 bilhões, é questionado em uma ação civil pública que tramita na Justiça Federal.
De acordo com Wendpap, a perícia pode ser requerida por uma das partes do processo. Ela é que verificaria se a avaliação feita pelo Consórcio Diamante está ou não depreciando a estatal, acusação feita pelo Ministério Público estadual e federal.
O juiz acredita que uma grande dificuldade da realização da perícia são os altos custos, por se tratar de um tratar de um trabalho complexo. ''Tem que saber se as partes do processo poderão custear uma nova avaliação.'' O processo ainda está na fase de ouvir as partes. O governo do Estado já entrou com recurso para evitar que a ação suspenda um novo leilão da Copel.
A ação proposta pelo MP questiona a omissão de tributos que deveriam ter integrado o valor econômico total da Copel. A avaliação deixou de considerar R$ 150 milhões em ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) e mais R$ 140 milhões de PIS/Pasep.
Os débitos da CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira) foram computados para os próximos 30 anos, mas a lei determina a regência do tributo só até junho de 2002. A redução aproximada do valor da Copel foi estimada em R$ 76 milhões.
O percentual de reajuste salarial considerado pelo Consórcio Diamante foi de 8%, quando no acordo coletivo de trabalho o índice foi de 7%, resultando numa redução de mais R$ 5 milhões no valor da estatal. Além disso, a projeção da variação cambial não teria sido considerada adequadamente, provocando uma diferença negativa de R$ 688 milhões na avaliação do preço mínimo.
O impacto do reajuste das tarifas de energia elétrica previsto para 2002, estimado em cerca de 20%, não foi levado em conta, depreciando a Copel em R$ 500 milhões. A avaliação do patrimônio imobiliário da Copel foi contestada também. A ação cita com exemplo a avaliação de 870 imóveis por R$ 8 milhões, numa média de R$ 9 mil por imóvel.

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