Juiz decreta falência da Gallus
Arthur Pereira Filho
Agência Folha
A Justiça de São Paulo decretou ontem a falência da Gallus Agropecuária S/A, empresa que vendia contratos de parceria para engorda de animais. A decisão do Juiz José Maria Simões de Vergueiro, da 19ª Vara Cível atendeu a pedido de Richard Civita, produtor rural e presidente da CLC S/A, holding que controla empresas como Nova Cultural e Círculo do Livro. Civita é dono de fazenda na região de Avaré e fornecia feno para a Gallus. Ele decidiu entrar com pedido de falência após não ter conseguido receber R$ 13.860, referente a uma venda de feno efetuada em 27 de janeiro deste ano.
Segundo a decisão do juiz, a defesa apresentada pela Gallus ‘‘não conseguiu abalar os sólidos documentos que acompanharam a peça inaugural. A Gallus alegou que o ‘‘título que embasa o pedido é ilíquido, incerto e inexigível .
O juiz determinou a lacração da sede da Gallus, nomeou Civita síndico da massa falida e deu prazo de 20 dias para que os credores da empresa se
habilitem.
O diretor-presidente da Gallus, Fernando Caron, disse que a empresa vai
recorrer da decisão, mas não quis dar detalhes. ‘‘Vamos divulgar na
segunda-feira todos os documentos sobre o caso, afirma. O juiz auxiliar da 19ª Vara Cível, Fábio Henrique Podestá, confirma que a Gallus Agropecuária ainda tem direito a apresentar recurso. Segundo a advogada de Civita, Teresa Cristina de Deus Alves dos Reis,
existem outros 38 pedidos de falência contra a Galllus apresentados à
Justiça.
Segundo Reis, não foi possível fazer nenhum acordo com a empresa porque
nas últimas semanas ‘‘os representantes da Gallus começaram a se esconder. A decisão judicial foi assinada no dia 12, mas até hoje não havia sido
publicada no ‘‘Diário Oficial .
Por não ter cumprido compromissos com investidores, a Gallus está proibida desde o dia 5 de março de vender contratos de engorda de animais. A decisão foi tomada pela CVM (Comissão de Valores Mobiliários). Para garantir os recursos dos aplicadores, os bens imóveis da empresa e
dos sócios foram bloqueados pela Justiça Federal. A Gallus chegou a
reconhecer uma dívida de R$ 17 milhões com investidores, entre contratos
vencidos e a vencer.
No dia 16 de abril, o Ministério Público Federal entrou com ação civil
pública na Justiça Federal para pedir a dissolução da Gallus e o bloqueio das contas bancárias e quebra do sigilo bancários e fiscal da empresa e
dos sócios.

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