A Corte Federal dos Estados Unidos determinou a divisão da Microsoft em duas empresas, que será realizada sob supervisão do governo norte-americano, e a imediata imposição de restrições severas às práticas comerciais da companhia, consideradas monopolistas. O juiz federal Thomas Penfield Jackson adotou a proposta apresentada pelo Departamento de Justiça e 17 estados norte-americanos contra a companhia de Bill Gates.
Jackson concordou que a divisão da maior empresa de software do mundo é a forma mais eficiente e efetiva para assegurar a competição no lucrativo mercado de software. De acordo com o plano, a Microsoft será dividida verticalmente: uma empresa manterá os ativos financeiros e o sistema operacional Windows, enquanto a outra concentrará as ferramentas de software mais populares, como o processador de texto e os aplicativos de organização.
Meia hora depois da decisão do juiz Jackson, as ações da Microsoft operavam em alta de 0,7% no after-market em relação ao fechamento na Bolsa de Nova York, a US$ 71,00. O fundador da Microsoft, Bill Gates, afirmou que a decisão do juiz Jackson delimita apenas ‘‘o primeiro dia do resto do processo’’. A Microsoft vai recorrer da decisão nos próximos dias à Corte de Apelações do Distrito de Columbia, o que suspende automaticamente o efeito da sentença judicial.
‘‘Essa é uma intrusão injustificável na indústria de softwares’’, afirmou Gates. ‘‘Manter nossa equipe unida é fundamental para o nosso negócio’’, disse. Gates declarou ainda que a história da Microsoft é de ‘‘competição acirrada, mas justa’’. A Microsoft vai continuar desenvolvendo novos programas durante a fase de recursos, segundo Gates. ‘‘Estamos entusiasmados com a nova geração de produtos para Internet’’, declarou. Gates disse ainda que os empregados da Microsoft têm recebido esclarecimentos sobre cada nova decisão no processo.
O diretor jurídico da Microsoft no Brasil, Luiz Sette, informou à Agência Estado que o recurso tem efeito suspensivo automático sobre a sentença de divisão, mas outros pontos que foram detalhados pelo juiz na sua decisão terão de ser implementados nos próximos meses, a menos que a Corte de Apelações aceite pedidos específicos de suspensão.

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