São Paulo - O banco norte-americano JP Morgan reduziu quarta-feira à noite sua recomendação para a dívida externa brasileira da posição ''overweight'' para ''marketweight'', dizendo acreditar que ''o cenário externo é menos favorável e o governo perdeu uma importante janela de oportunidade para lançar uma agenda de reformas mais positiva''. A recomendação ''overweight'' (acima do mercado) significa que o investidor deve ter em sua carteira uma parcela maior de ativos brasileiros, na comparação com ativos de outros países emergentes. Ao rebaixar a classificação do País para ''marketweight'' (na média do mercado), na prática o Morgan alertou que o Brasil passa a ter mais riscos e a ser menos confiável para se aplicar recursos. Ou seja, aconselhou os investidores estrangeiros a vender parte de seus títulos brasileiros.
Segundo nota assinada pelo estrategista Drausio Giacomelli, no campo econômico a perspectiva de crescimento continua incerta, como ficou evidente no resultado de fevereiro da produção industrial. '' Além disso, estamos mais preocupados com as perspectivas fiscais, já que o desempenho em janeiro e fevereiro foi inferior às trajetórias de anos anteriores. O governo tem sido mais permissivo nas negociações salariais com os servidores e pensionistas e parece estar considerando sugestões para mudança nas metodologias de superávit primário ou aplicação de mecanismos anticíclicos, que podem trazer volatilidade na relação dívida/PIB (Produto Interno Bruto)''.
A nota diz ainda que a instituição ''acredita que o governo irá cumprir as metas com o FMI (Fundo Monetário Internacional), mas a qualidade dos resultados fiscais se deteriorarão e terão impacto negativo sobre as perspectivas de crescimento. O governo pode reverter as notícias negativas, mas os sinais recentes sugerem preocupação''.
O ministro do Planejamento, Guido Mantega, creditou à falta de informação sobre a realidade do País a decisão do banco norte-americano. ''Os analistas estão dizendo que estamos descambando para a irresponsabilidade fiscal e não é nada disso'', afirmou Mantega, na Comissão Mista de Orçamento do Congresso. Segundo ele, para dar o aumento prometido aos servidores públicos o governo utilizará R$ 3 bilhões que já estão disponíveis no Orçamento.
''Estão atribuindo ao aumento dos servidores o aumento dos gastos, mas eles não fizeram as contas direito. Até agora, os nossos fundamentos estão solidíssimos e não estamos gastando nenhum tostão além do que já temos'', afirmou. O aumento que está sendo estudado para os aposentados deverá ser financiado com cerca de R$ 500 milhões provenientes do excesso de arrecadação, garantiu o ministro.
''Não há provas de que o Brasil não cumprirá suas metas fiscais para este ano'', disse o ministro, salientando que ''todos os compromissos estão sendo feitos com base no excesso de arrecadação''. ''Vamos fazer o superávit primário de 4,25% do PIB (Produto Interno Bruto)'', afirmou.

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