JP Morgan projeta câmbio a R$ 3,60, no fim do ano
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sexta-feira, 21 de fevereiro de 2003
Fábio Alves<br> Agência Estado 
Nova York O economista-chefe para Brasil do JP Morgan, Luís Fernando Lopes, projeta uma taxa de câmbio média de R$ 3,55 por dólar em 2003, com o real podendo registrar forte depreciação para um nível entre R$ 3,80 e R$ 3,90 durante o primeiro trimestre, em razão do risco do ataque militar americano ao Iraque.
''Mas o câmbio voltará a se apreciar até o fim do ano, fechando em R$ 3,60, em razão de tendências mais saudáveis para o balanço de pagamentos, manutenção de disciplina fiscal e desempenho do governo nas reformas - se não espetacular, pelo menos com avanços na reforma tributária e da previdência, entre outras'', afirmou ontem Lopes durante teleconfência sobre as perspectivas econômicas do Brasil.
Lopes disse que o País está numa situação confortável em termos de balanço de pagamentos, descartando a possibilidade de default da dívida. Entre os componentes do balanço, ele projetou um superávit da balança comercial por volta de US$ 14 bilhões a US$ 14,5 bilhões, mesmo com o impacto de uma alta no preço do petróleo em razão de um eventual ataque contra o Iraque.
Ele lembrou que o Brasil importa 10% do seu consumo de petróleo e derivados. ''Supondo um aumento permanente de 20% sobre os preços já elevados do petróleo atualmente, o impacto disso na balança comercial seria de uma deterioração de US$ 1,2 bilhão num período de 12 meses. Então, não estamos preocupados com o potencial de guerra no Oriente Médio sobre a balança comercial brasileira'', afirmou o economista do JP Morgan.
Já em relação aos fundamentos políticos, Lopes traçou um cenário mais realista e conservador do que o cronograma do governo para a aprovação das reformas estruturais. A aprovação da autonomia operacional do Banco Central, por exemplo, Lopes não vê perspectiva para aprovação de tal medida ainda neste ano.


