Nova York - Num cenário extremo de profunda recessão na China, com consequente redução a zero das importações chinesas, o impacto sobre a balança comercial do Brasil seria limitado, conforme análise feita pelo JP Morgan, em nota a clientes. O vice-presidente da área econômica para a América Latina, Dráusio Giacomelli, e o economista para o Brasil, Fabio Akira, projetam que, nesse cenário mais negativo, a queda nas exportações brasileiras seria limitada a US$ 1,8 bilhão, ou o equivalente a apenas 2,3% do total das exportações do Brasil.
''Num cenário extremo de crise na China, a repercussão financeira provavelmente dominaria qualquer contágio via comércio internacional'', afirmam os analistas na nota de pesquisa. Eles observam que a recente queda nos preços de algumas commodities não ligadas a petróleo e o medo de uma diminuição no ritmo de crescimento econômico na China aumentaram as preocupações relacionadas à sustentabilidade da virada do desempenho da balança comercial brasileira dos últimos dois anos.
Ao detalhar a composição da balança comercial brasileira, os analistas do JP Morgan destacam que a China representa apenas 6% do total das exportações brasileiras, embora os embarques para a China tenham crescido vigorosamente no ano passado. ''Alem do mais, as importações chinesas de produtos brasileiros não são totalmente sensíveis à atividade industrial na China, uma vez que soja (e derivados) representou 34,6% do total das exportações brasileiras para a China em 2003. ''Mesmo se o ritmo de crescimento chinês diminuir, é razoável supor que a demanda por grãos permaneceria um tanto inelástica'', ressaltam. A queda viria em ferro, aço e derivados, e autopeças, que representam 40% das vendas brasileiras para a China.
Giacomelli e Akira lembram que as exportações brasileiras são bastante diversificadas geograficamente, com a Ásia representando 16% do total das vendas externas brasileiras, enquanto os Estados Unidos representam 23%. Os analistas do JP Morgan ressaltam ainda que o crescimento nas exportações brasileiras em 2003 foi motivado principalmente pelo aumento do volume embarcado (15,7%). Os analistas destacam que a China tem participação de 14% no comércio mundial.

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