São Paulo - O desemprego, que já atinge mais de 9 milhões de brasileiros, afeta principalmente os jovens. Um em cada dois desempregados tem menos de 25 anos de idade, segundo estudo do economista Márcio Pochmann, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). O administrador de empresas desempregado João Boaventura dos Santos, de 24 anos, ilustra as dificuldades enfrentadas pelo jovem brasileiro no mercado de trabalho. Santos saiu da faculdade em 2004 e acaba de iniciar um MBA em gestão estratégica empresarial. ''Espero que o MBA funcione como diferencial na disputa pelo emprego.''
Ele diz que tem conhecimentos básicos de inglês e experiência na área de logística, onde trabalhou no Grupo Pão de Açúcar até novembro de 2005. Depois disso, começou a prestar concursos públicos em busca de estabilidade e de um salário melhor. ''Prestei exame para Receita Federal e para a Caixa Econômica Federal, mas não tive êxito. No caso da Receita, o salário era de R$ 4,5 mil, bem acima dos R$ 750 que recebia na empresa privada. Cansado de procurar alternativas mais vantajosas, em maio de 2006 foi contratado por uma pequena gráfica como auxiliar de vendas. Ele ganhava R$ 700 e trabalhou até fevereiro.
As chances de encontrar uma colocação no mercado são cada vez mais remotas. Segundo José Ricardo Roriz, diretor do Departamento de Competitividade e Tecnologia da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), investimentos do setor, que poderiam ampliar a oferta de trabalho, hoje são defensivos.
''Ninguém está investindo em aumento de produção e sim de produtividade, com o objetivo de ganhar competitividade ante o ataque dos produtos estrangeiros, que são beneficiados pela valorização do real em relação ao dólar.''
Por esse motivo, o investimento tem de ser cada vez mais vultoso para gerar um número razoável de empregos. De acordo com a Fiesp, para cada R$ 1 milhão investido, são abertos 22 postos de trabalho em na pequena empresa industrial e apenas cinco, numa grande. ''A globalização exige empresas cada vez maiores, com ganhos de escala e produtividade. Estamos saindo da média de 22 empregos para 5.''
Para o presidente da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee), Humberto Barbato, com a valorização do real as indústrias do setor estão investido em aumento de produtividade, trazendo do exterior equipamentos automatizados. ''Por isso, o emprego e as vendas não crescem no mesmo ritmo.''
O setor prevê um crescimento de 13% nas vendas este ano e vai ampliar o emprego em apenas 7%. ''Isso é natural, pois temos ociosidade nas fábricas.'' Em 2006, também houve um descompasso entre o crescimento do setor e o número de vagas abertas. No ano passado, o faturamento aumentou 12% e o emprego 8,5%.
Na produção de máquinas e equipamentos, o número de trabalhadores recuou 1,4% em fevereiro, em relação a igual período de 2006. Segundo a Associação Brasileira das Indústrias de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), o setor empregava 209 mil trabalhadores em fevereiro deste ano, ante 212 mil no mesmo mês de 2006.
A situação do emprego chega a ser dramática em empresas que sofrem concorrência direta das importações chinesas, como no setor de escovas para cabelo. Das 30 fábricas que existiam no País há cinco anos, restaram apenas duas.

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