Motivados pelas ofertas de crédito que se somam à variedade de produtos disponíveis no mercado, os jovens estão mais propensos ao consumismo e, consequentemente, a níveis maiores de endividamento. Durante o primeiro semestre do ano, os consumidores com até 20 anos lideraram a inadimplência com cheques no País. Para esta faixa etária, o índice ficou em 16,92%, ante 15,90% do mesmo período do ano passado.
Os segmentos mais requisitados entre os jovens, que apresentaram maior inadimplência, foram vestuário, calçados e eletrônicos. Os dados são da pesquisa da TeleCheque, realizada com mais de 13 mil clientes da base de dados da empresa especializada em verificação de crédito em compras com cheques. Na média geral, considerando todas as faixas etárias, a inadimplência foi de 2,92% nos primeiros seis meses de 2011, sendo que no mesmo período de 2010 tinha sido de 2,85%.
Para o consultor de finanças pessoais e empresariais Charles Vezozzo, esses números são resultado do aumento de consumo da população, motivado pela melhora do poder aquisitivo de algumas classes sociais. ''O mercado também reagiu, cresceram as opções de produtos e, consequentemente, o estímulo ao consumo'', justifica. ''As pessoas compram mais do que precisam, cedem ao impulso de consumir e se individam, principalmente os jovens, que são mais suscetíveis a isso'', reitera.
De acordo com Vezozzo, a educação financeira é uma ferramenta muito importante para conscientizar os jovens e ensiná-los a gastar menos do que ganham. ''No entanto, não é algo que deve acontecer apenas na escola; deve começar em casa, com os pais ensinando os filhos a estabelecer limites. Porque a tendência é que a oferta de crédito continue aumentando no Brasil. Se bem administrada, a mesada é crucial para ensinar'', diz.
A diretora de recuperação da TeleCheque, Dirlene Martins, complementa que a abertura de contas universitárias, há aproximadamente oito anos, ampliou o acesso ao crédito, o que tem refletido no bolso dos jovens. ''Muitas vezes, a mesada ou a renda deles são menores do que o consumo'', diz ela. Vezozzo reitera que o cheque ou o cartão de crédito não são o problema, mas sim a falta de controle de quem os utiliza.
Orientações
Para não cair em dívidas, o consultor financeiro ensina que o primeiro passo é fazer um planejamento mensal, colocando todas as contas em uma planilha, estabelecendo critérios e prioridades. Cheque pré-datado e cartões de crédito devem ser evitados, mas, se não for possível, devem ser controlados. ''Se não for disciplinado, não use'', orienta.
Pesquisar sempre antes de comprar é outra dica que não pode ser deixada de lado. ''É fundamental fazer três perguntas: 'preciso disso agora?', 'eu posso pagar isso?' e 'porque comprar isso?''', ensina. Se mesmo assim optar pela compra, fuja de cartão de crédito e cheque especial, porque os juros são muito altos. ''Essas duas modalidades devem ser utilizadas com parcimônia e controle'', complementa.
Ficar atento aos juros de compras a prazo é outro ponto citado pelo consultor. Por fim, ele ensina que é importante reavaliar o planejamento financeiro periodicamente, ao menos uma vez ao mês.

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