Jovens estão sob alto risco, mostra estudo
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terça-feira, 04 de outubro de 2005
Karine Rodrigues<br> Agência Estado 
Rio de Janeiro - Os jovens são 1,2 bilhão, 18% da população mundial, e estão em risco. Com idade entre 15 e 24 anos, mais de 200 milhões vivem com menos de US$ 1 por dia, e 88 milhões, sem emprego. Além disso, são extremamente vulneráveis à epidemia da aids: dez milhões têm a doença e 50% das novas infecções por HIV os atingem. Força essencial para o desenvolvimento das nações, começam a beber cada vez mais cedo e sofrem, ainda, os efeitos dos conflitos armados, via recrutamento forçado ou como alvo de violência sexual. Na última década, a guerra dizimou dois milhões deles.
Os dados são do Relatório Mundial sobre a Juventude 2005, divulgado ontem pela Organização das Nações Unidas (ONU). Dez anos após sua primeira edição, o documento, que avalia a implementação de ações em 15 áreas prioritárias previstas pelo Programa Mundial para a Juventude, criado pela ONU, chama atenção para ''a grande necessidade'' de os países aumentarem os investimentos em políticas direcionadas para os jovens. Um reforço que deve ser feito se associando as três esferas de governo e instituições internacionais, dando espaço para que o principal interessado participe da elaboração das estratégias.
Apesar de reconhecer avanços, como o aumento do número de crianças matriculadas na escola e na universidade citados no relatório, o subsecretário-geral da ONU, José Antonio Ocampo, que assina a apresentação do documento, avalia que as políticas hoje ainda são baseadas em estereótipos negativos da juventude, com atenção excessiva à delinquência, à violência e ao abuso de drogas. ''Este tipo de política ignora a maioria da juventude, que não está associada a este tipo de comportamento de alto risco. E desvia a atenção da necessidade de investimentos estruturais em educação, assistência à saúde e criação de empregos.''
As diferenças entre os países desenvolvidos e em desenvolvimento estão se tornando cada vez menos aparentes, diz o relatório - um reflexo da urbanização e da globalização, que contribuem para uma emergente cultura jovem impulsionada pelos meios de comunicação. Isto considerados os aspectos analisados pelo relatório.
Oportunidades - A integração entre as economias e as sociedades, destaca a ONU, tem afetado a juventude de uma maneira ambígua. Embora eles sejam mais flexíveis, e, portanto, mais facilmente adaptáveis à nova realidade mundial, aproveitando as oportunidades que surgem, sejam estudos no exterior ou contatos com tecnologias de comunicação avançadas, muitos dos que estão entre os 15 e 24 anos, especialmente nos países em desenvolvimento, são alijados das oportunidades que a globalização oferece.
Até mesmo na China, onde tem havido um significativo crescimento econômico, enfrentam o desemprego. Daí a migração crescente de jovens, que, todos os dias, deixam o seu país para, ilegalmente, tentar a vida em nações mais desenvolvidas. Há uma estimativa de que estes somam hoje 26 milhões, ou seja, 15% do total de pessoas que tentam fazer fortuna fora de seu lugar de origem.


