Katherine, Tamara e Tatiane são três jovens moradoras de Londrina que têm um objetivo em comum: sem qualquer registro na carteira de trabalho, elas querem trabalhar. Inexperientes, as três meninas integram uma estatística que demonstra a relevância de apoiar a criação de empregos para jovens e adolescentes, como pretende fazer o programa Primeiro Emprego, lançado ontem pelo governo federal.
Em Londrina, das 40,9 mil pessoas que procuraram trabalho nas agências públicas de emprego no ano passado, 38,3% tinham menos de 24 anos. Por outro lado, apenas 14,4% das 53,8 mil contratações foram para o primeiro emprego. Os dados são da Secretaria Municipal de Planejamento.
Na Labor Trabalho Temporário, uma empresa privada de colocação profissional, os números indicam que a dificuldade se repete. A psicóloga Ruth Hayashi, coordenadora da área de recrutamento e seleção, revelou que pelo menos 50% das pessoas que se cadastram na agência estão a procura do primeiro emprego. No máximo 10% delas, entretanto, conseguem uma vaga.
''Quando não buscam estagiários, as empresas exigem experiência profissional'', contou. Estudantes universitários, recém-formados ou aqueles que concluíram o ensino médio recentemente são a maioria dos interessados.
Katherine da Silva Souza, 17 anos, precisa trabalhar para ''ajudar em casa e ganhar experiência''. Cursando o último ano do ensino médio, ela contou que já fez vários cursos para melhorar o currículo, mas nunca foi chamada para trabalhar. Para a estudante, o problema é que as empresas não têm interesse em contratar menores que estudam e só possuem meio período disponível. ''Espero ser uma das 250 mil pessoas que serão beneficiadas pelo Primeiro Emprego.''
A história de Tatiane Francielli Nicolini, 19, demonstra que não são apenas os jovens de baixa renda e pouca escolaridade que encontram dificuldades para encontrar emprego. Estudante de pedagogia na Universidade Estadual de Londrina (UEL), ela quer trabalhar para deixar de depender financeiramente dos pais. Procurando emprego desde 2001, só foi chamada uma vez mas teve que desistir da vaga porque o horário não era compatível com os estudos.
''A principal dificuldade é que não tenho experiência'', reclamou ela, que não tem esperança de ter chances melhores após a formatura. ''O problema da inexperiência continuará''.
Tamara Santos Silva, 20, investiu em formação profissional mas ainda não colheu bons resultados. ''O mercado está saturado. Como não tem emprego para todo mundo, as empresas dão preferência para quem já trabalhou'', comentou.
O Primeiro Emprego vai incentivar as micro e pequenas empresas com R$ 200,00 mensais, por seis meses, para cada nova vaga aberta para jovens de 16 a 24 anos de baixa renda e escolaridade. Para médias e grandes empresas, o incentivo mensal será de R$ 100,00 por cada nova vaga.

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