O mercado de alta tecnologia feito para poucos iluminados e bem-nascidos irá ceder espaço para jovens das classes C e D no estado do Paraná. Um projeto batizado de ''Lapidando Talentos, Ampliando Horizontes'' iniciado em Curitiba (leia matéria nesta página), está servindo de modelo para tornar o Estado um importante pólo na área de Tecnologia da Informação. O setor necessita de 100 mil novos profissionais a cada ano no Brasil. Só na região curitibana, por exemplo, há 15 mil vagas à disposição dos interessados.
A estratégia em dar oportunidade de emprego e carreira para jovens sem perspectivas de renda e ensino é muito conhecida entre grandes empresários como o indiano Ratan Tata e o americano Bill Gates, da Microsoft. Para fazer frente a este desafio, um upgrade de gestão de pessoas também está sendo agregado ao projeto.
O Brasil fatura US$ 800 milhões em TI, o que corresponde a quase 1% do que é produzido no mundo. Os números são maiores, quando se leva em conta que o País ainda pode crescer 40% neste mercado. Mas a contradição que o setor vem enfrentando é a evasão de profissionais, de estudantes e a desarticulação dos vários atores para tornar o país expoente nesta área. O Brasil é forte na produção de software (programas) para o sistema bancário, sistema eleitoral, para games e para gestão administrativa de empresas.
Associações (estadual e nacional) de TI, escolas técnicas e universidades reunidas deram início prático ao projeto em outubro deste ano. A idéia do projeto é envolver o poder público das diversas regiões do Paraná, como já está acontecendo em Curitiba e Londrina.
O detalhe é que não se requer grandes investimentos, um terminal de computador é o suficiente para que um profissional de TI possa trazer alguns milhares de dólares para empresas brasileiras. De outra parte, porém, serão necessários pesados investimentos na formação destes profissionais para operar os PC. O objetivo é fazer com que investimentos advindos da área empresarial sejam canalizados para o ensino público. A idéia é melhorar os cursos de inglês e matemática, principalmente, já que o instrumental de TI depende em grande parte destas matérias.
''Vamos unir estes atores num fórum para tornar o Paraná referência em TI'', destaca Ademir Morgenstern Padilha, coordenador de Capacitação e Qualificação do Arranjo Produtivo Local de TI (APL-TI) de Londrina. As deficiências para o crescimento do setor estão calcadas no ensino básico e médio. Este despreparo redunda numa baixa demanda para alunos dos cursos de exatas nas universidades.
Aliado ao fator educacional, o setor não tem uma política de comunicação, que leve estudantes a se interessarem pelos cursos de Ciência da Computação, como é conhecido o curso superior de TI. ''Vamos divulgar nos vestibulares sobre as possibilidades de empregabilidade e carreira neste mercado'', detalha Padilha.
Outro ponto é a falta de uma política de gestão de pessoal que leve as empresas a parar de perder seus talentos para praças tecnológicas mais importantes do país, como é o caso de São Paulo e Rio de Janeiro. Além da implemetação de uma nova gestão de pessoal, Padilha esclarece que as empresas terão uma atitude coletiva na formação de mão-de-bra.
O incentivo a alunos das classes C e D tem também como estratégia fidelizar o profissional à empresa. Segundo Padilha, só no ano que vem 750 profissionais serão formados em Londrina e região, e todos estarão empregados. Segundo ele, o profissional de TI demora cerca de 2 anos para se formar no ensino técnico e outros 4 para o ensino superior. ''Este funcionário vai ficar pelo menos cinco anos prestando serviço para a empresa'', prevê o coordenador de capacitação.

mockup