Curitiba - Pessoas jovens, com idade entre 25 a 44 anos, mais de dois anos de empresa e curso superior completo. É esse o perfil da maioria dos fraudadores de empresas brasileiras apontados por 151 empresários do Rio de Janeiro e São Paulo, ouvidos em pesquisa realizada pela empresa de consultoria Ernst & Young. As entrevistas, realizadas entre julho e setembro do ano passado, deram origem ao documento Perfil do Fraudador Brasileiro, apresentado ontem a empresários do Paraná e Santa Catarina.
Para José Francisco Compagno, sócio da Ernst & Young na área de Fraudes, um dos dados interessantes refere-se ao tempo de empresa do fraudador. ''A pesquisa mostra que os funcionários não cometem a fraude por impulso. A maioria conhece a empresa, mapeia a oportunidade certa, faz uma coisa estudada'', diz.
A pesquisa envolveu empresas de vários setores de atividades, sendo 55% com faturamento acima de R$ 251 milhões. A ocorrência de fraudes é proporcional ao tamanho das empresas. Questionadas sobre a ocorrência de fraudes nos últimos cinco anos, 93% das empresas com faturamento acima de R$ 1 bilhão responderam afirmativamente; entre as empresas com faturamento entre R$ 251 milhões e R$ 1 bilhão, as vítimas caíram para 70%; e entre empresas com ganho inferior a R$ 250 milhões, o índice é de 57%.
Oitenta e oito por cento dos empresários também afirmaram que o impacto das fraudes é de 1% do faturamento de suas empresas. José Ricardo Oliveira, sócio da Área de Business Risk Services do escritório da Ernst & Young de Curitiba, no entanto, acredita que esse índice pode estar subestimado, uma vez que os administradores não estão levando em conta os prejuízos com custos de investigação, despesas legais, nem o impacto negativo na imagem da empresa. Nas empresas norte-americanas, essas perdas são estimadas entre 4% a 6% das receitas.
No Brasil, a maioria das fraudes, segundo Compagno, ocorre no setor financeiro da empresa, que é a área onde há mais ativos e maiores condições de desvio. Sessenta e cinco por cento das fraudes são referentes a desvio de ativos, 13% por corrupção, 12% são fraudes contábeis, 6% de fraudes em sistemas e 4% em seguros. Na maioria dos casos, explica, para atingir a finalidade, a mesma frauade envolve mais de uma modalidade.

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