Contas. O que fazer com elas? Como admistrar o dinheiro disponível para aluguel, transporte, alimentação, roupas, materiais para estudo e diversão sem formar um rombo no orçamento? Esse é um dos desafios enfrentados por jovens que, por causa dos estudos, passam a morar em outra cidade. Longe da família, o adolescente precisa administrar o próprio orçamento e resistir aos apelos do consumismo.
A estudante de odontologia Juliana Cristina de Oliveira Barbosa, 17 anos, mudou-se sozinha para Londrina há menos de um mês. Ela conta que nunca se preocupou com orçamento doméstico, até se deparar com o próprio. Além das contas da república onde mora, precisa pagar o transporte até a faculdade, livros e material para o curso, alimentação, roupas e calçados. Ela acredita que irá gastar cerca de R$ 700, por mês. ''Agora estou aprendendo a dar mais valor ao dinheiro. Antes eu ficava pedindo as coisas para a minha mãe. Agora sei quanto vale cada real'', analisa.
Juliana declara que nunca tinha ido fazer compras no supermercado quando morava com a família. ''Minha amiga foi comigo ao mercado pela primeira vez. Mesmo assim eu ainda não tenho noção se as coisas estão caras ou baratas ou qual o produto mais adequado'', avalia. Juliana revala que anota todos os gastos na agenda e, ao final do dia, confere se todo o dinheiro que deveria ter na carteira está no lugar certo. '' Às vezes eu esqueço de anotar onde gastei o dinheiro, à noite não consigo dormir de preocupação'', relata.
Mesmo temerosa quanto à administração do próprio orçamento, Juliana considera que está feliz em poder administrar o dinheiro que usa. ''Aqui tenho mais liberdade para tudo. Eu gasto o meu dinheiro como eu quiser'', diz. Decidida, ela não esconde que economizaria com alimentação para comprar roupas e calçados ou ir em festas. '' Acho que minha mãe não me mandaria dinheiro para ir em algum bar ou festa. Prefiro pedir um pouco mais e ficar com a diferença'', revela.
Josimara Tonin Ribas, 18 anos, estudante de odontologia, não esconde que também arredonda as contas para fazer sobrar dinheiro. ''O negócio é desvio de verbas. Se a conta de luz somar R$ 54, peço R$ 60 para o meu pai'', confidencia. A estudante divide um apartamento com a irmã e mais uma amiga. Josimara conta, porém, que tanto ela quanto a irmã recebem dinheiro dos pais e gerenciam os orçamentos de modo separado.
De acordo com Josimara, o incentivo dos pais para que ela soubesse ser independente desde pequena teria ajudado na hora de morar fora de casa e gerir a contabilidade. Como estuda em uma universidade particular, só em mensalidade ela gasta R$ 1.250, aproximadamente. As duas irmãs de Josimara também fazem faculdade, uma delas em instituição particular e outra em uma universidade estadual. Segundo ela, os gastos médios da família com as três estudantes chegariam a R$ 5 mil mensais.

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