ParisO premier francês, Lionel Jospin, socialista, pediu ontem aos franceses que ‘‘rejeitem, com o voto, nas eleições presidenciais, a extrema-direita e o perigo que ela representa para nosso país e para os que vivem nele’’. Depois de demonstrar ‘‘preocupação com o futuro da França e os fundamentos de nossa democracia’’, o chefe de Governo francês se declarou, no entanto, ‘‘sem ilusões sobre o segundo turno eleitoral, no dia 5 de maio’’.
No apelo, Jospin não pediu votos para seu rival nas eleições presidenciais de domingo, Jacques Chirac, que obteve 19,88% dos votos, seguido pelo candidato de extrema-direita, Jean Marie Le Pen, com 16,86%. Mas a manifestação deixa clara uma espécie de preferência pelo que ele consideraria o ‘‘menos pior’’.
França-Inglaterra
O candidato de extrema-direita à eleição presidencial francesa, Jean-Marie Le Pen, declarou ontem em Paris que ‘‘não sou mais racista do que (o primeiro-ministro britânico) Tony Blair, que não quer imigrantes que cheguem de Sangatte (entrada do túnel sob o Canal da Mancha)’’. Em Sangatte, no Norte da França, está situado desde 1999 um acampamento de refugiados da Cruz Vermelha.
Em resposta, um porta-voz do primeiro-ministro britânico Tony Blair classificou Jean-Marie Le Pen de ‘‘racista’’ e suas idéias de ‘‘repugnantes.
Protestas
Milhares de pessoas protestaram ontem em diversas cidades da França contra o dirigente de extrema-direita Jean Marie Le Pen, que pela primeira vez disputará o segundo turno da eleição presidencial francesa, no dia 5 de maio.
As manifestações de ontem foram menores do que as que ocorreram durante toda a semana e que na quinta-feira reuniram mais de 330.000 pessoas em mais de 20 cidades francesas. Ontem choveu em muitas cidades do país.
Os protestos nas ruas começaram na noite de domingo, depois da divulgação do resultado do primeiro turno da eleição presidencial, na qual o candidato de extrema-direita se qualificou para o segundo turno.
Uma grande manifestação está programada para hoje e deve servir de preparativo para a mobilização do dia 1º de maio, convocada por partidos políticos e sindicatos.
Pesquisa
Os institutos de pesquisa, que não previram que o ultradireitista Jean-Marie Le Pen eliminaria o socialista Lionel Jospin no primeiro turno das eleições presidenciais francesas, adotaram atitudes díspares sobre a difusão das pesquisas diante do segundo turno no próximo dia 5 de maio. O BVA anunciou ontem que não publicará estudos de intenções de voto antes do duelo entre Le Pen e o atual presidente e neogaullista Jacques Chirac, porque com essa ‘‘configuração totalmente inédita’’ e um panorama muito volátil, o trabalho de um instituto de pesquisa não pode ser feito em ‘‘boas condições de credibilidade’’. Já o Ipsos deve publicar suas pesquisas antes do segundo turno, informou um porta-voz.

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