Jornal é o meio de maior credibilidade
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 12 de abril de 2017
Nelson Bortolin e Diego Prazeres<br>Reportagem Local 
Apesar de alguns teóricos pregarem o fim do jornal impresso, este ainda é o meio de comunicação com mais credibilidade no País. Segundo pesquisa encomendada pela Secretaria de Comunicação da Presidência da República, que ouviu mais de 15 mil pessoas em todo o País, 60% dos brasileiros "confiam sempre" ou "confiam muitas vezes" no que leem nos jornais. Esse índice baixa para 57% no caso do rádio e para 54%, na TV.
Leia Mais:
Superintendente da FOLHA assume sindicato dos jornais
Embora em franca expansão, as mídias digitais inspiram pouca confiança. Somente 20% dos entrevistados "acreditam sempre" ou "muitas vezes" no que leem nos sites. Para as redes sociais, esse índice é ainda menor: 14%. Os blogs são os veículos com menor credibilidade no Brasil: 11%.
"Parece evidente que, apesar de tantas previsões a respeito do fim do impresso, ele continua muito forte e é difícil prever quando deixará de existir, ou se vai deixar de existir", afirma o diretor executivo da Associação Nacional de Jornais (ANJ), Ricardo Pedreira.

Segundo ele, a publicidade que é veiculada no jornal impresso também é a que oferece mais credibilidade. Tanto é que, quando precisam gerenciar crises, as empresas recorrem a anúncios de jornais, como ocorreu no recente episódio dos frigoríficos denunciados na Operação Carne Fraca, da Polícia Federal. "As empresas veicularam grandes anúncios nos jornais prestando seus esclarecimentos porque sabem tratar-se de uma mídia que atinge uma faixa da sociedade muito bem informada e que forma opinião", diz o diretor.
Para Pedreira, a importância dos jornais cresce num mundo de "tanta informação desencontrada, de tanta notícia falsa". "O importante é que o jornalismo prossiga sendo feito da melhor forma, que seja de qualidade, com suas características clássicas, que são a apuração aprofundada, a edição, a contextualização, a busca de se ouvir vários lados. Isso é muito importante", ressalta.
O diretor não concorda totalmente que apenas as gerações mais velhas consomem mídia impressa. "De fato, a gente sabe que há essa tendência. Mas também há pesquisas que mostram que, à medida que as pessoas vão amadurecendo, entrando no mercado de trabalho, elas também passam a consumir a mídia impressa", conta. Segundo ele, isso acontece porque o impresso é o meio que exige a leitura de forma mais atenta. "Você consegue ouvir rádio, que é uma mídia fantástica, dirigindo ou fazendo algo em casa." Na visão dele, nem TV, nem internet requerem do leitor tanta atenção quanto o impresso. "A leitura do impresso tem um valor muito forte e esta é uma das razões que explicam a permanência da mídia impressa no geral", declara.
Para Pedreira, o desafio dos jornais é integrar as edições impressas e digitais e encontrar um caminho para melhorar sua receita. "O modelo de negócios dos jornais classicamente se baseou na receita da publicidade muito mais que no pagamento dos leitores pelo conteúdo. Atualmente, tanto no Brasil como lá fora, os veículos estão em busca de diminuir a dependência da receita publicitária e aumentar a fatia da receita das assinaturas", declara.
O diretor executivo também defende a importância dos jornais regionais. "São os que têm as melhores condições de falar para suas audiências específicas. Nenhum jornal fala tão bem para a população de uma cidade como o jornal daquela cidade."


