Jornal diz que Brasil não é a Rússia
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 25 de agosto de 1998
Agência Estado/Dow Jones 
Sob o título O Brasil não é a Rússia, o jornal The Wall Street Journal ressalta em editorial que é importante fazer distinções entre os mercados emergentes num momento em que os investidores internacionais se mostram nervosos e olham para a América Latina em busca da provável próxima vítima depois da desvalorização do rublo russo.
Felizmente, o Brasil, maior dominó latino, vem demonstrando a vontade política de manter a estabilidade da moeda há quatro anos, afirma o jornal, que ressalta ainda as diferenças entre o Brasil e a Venezuela. A Venezuela teve dois pacotes de ajuda do FMI, mas nenhuma reforma econômica séria.
O Journal lembra que o governo venezuelano fracassou duas vezes na tentativa de privatizar suas companhias de alumínio. Em contrapartida, o Brasil privatizou as gigantescas Vale do Rio Doce, há mais de um ano, e a Telebrás, no mês passado. Embora afirme que as reformas no Brasil certamente requeiram maior urgência, o País lentamente começou a abrir seus mercados e a tirar o governo do meio de todas as transações econômicas.
No campo político, o Journal ressalta que o presidente Fernando Henrique Cardoso é o favorito para a eleição presidencial porque os brasileiros gostam da estabilidade dos preços e das reformas. Enquanto isso, a Venezuela se encontra no meio de uma campanha presidencial em que o candidato favorito é um ex-militar esquerdista que liderou uma tentativa de golpe em 92 e cuja resposta à crise econômica do país é uma moratória da dívida.
Segundo o Journal, não há razão para o Brasil ficar numa posição fraca e sem defesa a ponto de não ter escolha - a desculpa comumente usada, segundo o Journal, quando a defesa da moeda é abandonada. O jornal afirma que as reservas de US$ 67 bilhões em dólares e moeda estrangeira são um bom amortecedor, mas serão insignificantes num ataque sério (à moeda). Na opinião do Journal, se há demanda reduzida por reais, o BC deve mais uma vez reduzir a oferta.
No longo prazo, o Brasil deve institucionalizar a estabilidade da moeda criando um mecanismo automático para retirar reais do sistema quando a moeda estiver sob risco, afirma. Reeleito, o presidente Fernando Henrique terá de endurecer no lado fiscal, algo em que ele tem hesitado por muito tempo, acrescenta. O Brasil não é a Rússia, nem a Venezuela. Tudo o que tem de fazer é lembrar-se disto, finaliza.


