Sob o título ‘‘O Brasil não é a Rússia’’, o jornal The Wall Street Journal ressalta em editorial que é importante fazer distinções entre os mercados emergentes num momento em que os investidores internacionais se mostram nervosos e olham para a América Latina em busca da provável próxima vítima depois da desvalorização do rublo russo.
‘‘Felizmente, o Brasil, maior dominó latino, vem demonstrando a vontade política de manter a estabilidade da moeda há quatro anos’’, afirma o jornal, que ressalta ainda as diferenças entre o Brasil e a Venezuela. ‘‘A Venezuela teve dois pacotes de ajuda do FMI, mas nenhuma reforma econômica séria’’.
O Journal lembra que o governo venezuelano fracassou duas vezes na tentativa de privatizar suas companhias de alumínio. Em contrapartida, o Brasil privatizou as gigantescas Vale do Rio Doce, há mais de um ano, e a Telebrás, no mês passado. Embora afirme que as reformas no Brasil ‘‘certamente requeiram maior urgência, o País lentamente começou a abrir seus mercados e a tirar o governo do meio de todas as transações econômicas’’.
No campo político, o Journal ressalta que o presidente Fernando Henrique Cardoso é o favorito para a eleição presidencial ‘‘porque os brasileiros gostam da estabilidade dos preços e das reformas’’. Enquanto isso, ‘‘a Venezuela se encontra no meio de uma campanha presidencial em que o candidato favorito é um ex-militar esquerdista que liderou uma tentativa de golpe em 92 e cuja resposta à crise econômica do país é uma moratória da dívida’’.
Segundo o Journal, não há razão para o Brasil ficar numa posição fraca e sem defesa a ponto de ‘‘não ter escolha’’ - a desculpa comumente usada, segundo o Journal, quando a defesa da moeda é abandonada. O jornal afirma que as reservas ‘‘de US$ 67 bilhões em dólares e moeda estrangeira são um bom amortecedor, mas serão insignificantes num ataque sério (à moeda)’’. Na opinião do Journal, se há demanda reduzida por reais, o BC deve mais uma vez reduzir a oferta.
‘‘No longo prazo, o Brasil deve institucionalizar a estabilidade da moeda criando um mecanismo automático para retirar reais do sistema quando a moeda estiver sob risco’’, afirma. Reeleito, o presidente Fernando Henrique terá de endurecer no lado fiscal, algo em que ‘‘ele tem hesitado por muito tempo’’, acrescenta. ‘‘O Brasil não é a Rússia, nem a Venezuela. Tudo o que tem de fazer é lembrar-se disto’’, finaliza.

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