Jornais dos EUA destacam ajuste: aplausos e dúvidas
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quinta-feira, 29 de outubro de 1998
Agência Folha 
Brasil anuncia programa de US$ 80 bilhões para salvar a economia foi a principal manchete ontem do The New York Times, o maior jornal de Nova York. A matéria descreve os detalhes do plano para os próximos três anos e diz que ele foi recebido, no Brasil e no mercado externo, com aplausos e algumas dúvidas.
A matéria principal relata que houve um certo atraso no lançamento das medidas e que a apreensão agora é pela aprovação do pacote no Congresso. Em artigo assinado pelo colunista Michael Weinstein, o jornal diz que o plano não vai salvar o Brasil. Não será a economia de US$ 35 bilhões ou o pacote de ajuda do FMI que irá socorrer o País, escreve.
Para o colunista, qualquer economia nos gastos será corroída pela alta taxa de juros praticada pelo governo. O único entusiasmo com o plano vem de Wall Street, onde os investidores vão continuar especulando com uma taxa de juros superior a 20%.
O mais influente periódico econômico dos Estados Unidos classifica o plano de redução do déficit como uma esperança para evitar a desvalorização do real. A matéria é a principal no caderno internacional do jornal.
Segundo o WSJ, o objetivo do programa é restituir a confiança do investidor nos mercados da América Latina e evitar a desvalorização da moeda, que provocaria efeitos na economia norte-americana. Para o jornal, haverá resistência do Congresso para aprovar as medidas. Segundo a matéria, o plano foi devidamente debatido com a sociedade antes do lançamento.
O programa brasileiro é qualificado pelo The Washington Post como um plano de austeridade. Economistas ouvidos pelo Post, contudo, classificaram algumas medidas de surreais. Para o jornal, o governo brasileiro adotou o caminho certo. Elevar taxas de juros poderia ser uma medida mais fácil do que
cortar gastos, descreve.


