‘‘Brasil anuncia programa de US$ 80 bilhões para salvar a economia’’ foi a principal manchete ontem do ‘‘The New York Times’’, o maior jornal de Nova York. A matéria descreve os detalhes do plano para os próximos três anos e diz que ele foi recebido, no Brasil e no mercado externo, com ‘‘aplausos e algumas dúvidas’’.
A matéria principal relata que houve um certo atraso no lançamento das medidas e que a apreensão agora é pela aprovação do pacote no Congresso. Em artigo assinado pelo colunista Michael Weinstein, o jornal diz que o plano não vai salvar o Brasil. ‘‘Não será a economia de US$ 35 bilhões ou o pacote de ajuda do FMI que irá socorrer o País’’, escreve.
Para o colunista, qualquer economia nos gastos será corroída pela alta taxa de juros praticada pelo governo. ‘‘O único entusiasmo com o plano vem de Wall Street, onde os investidores vão continuar especulando com uma taxa de juros superior a 20%.’’
O mais influente periódico econômico dos Estados Unidos classifica o plano de redução do déficit como ‘‘uma esperança para evitar a desvalorização do real’’. A matéria é a principal no caderno internacional do jornal.
Segundo o ‘‘WSJ’’, o objetivo do programa é restituir a confiança do investidor nos mercados da América Latina e evitar a desvalorização da moeda, que provocaria efeitos na economia norte-americana. Para o jornal, haverá resistência do Congresso para aprovar as medidas. Segundo a matéria, o plano foi devidamente debatido com a sociedade antes do lançamento.
O programa brasileiro é qualificado pelo ‘‘The Washington Post’’ como um plano de austeridade. Economistas ouvidos pelo ‘‘Post’’, contudo, classificaram algumas medidas de ‘‘surreais’’. Para o jornal, o governo brasileiro adotou o caminho certo. ‘‘Elevar taxas de juros poderia ser uma medida mais fácil do que
cortar gastos’’, descreve.

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