A Internet deu aos jornais brasileiros - pequenos e grandes - praticamente o mesmo poder de fogo na disputa pelos leitores e consumidores, na opinião do diretor de tecnologia do jornal O Globo, do Rio de Janeiro, Paulo Novaes. Ele visitou a Folha em Londrina na semana passada. Especialista em tecnologia, Novaes afirma que, para obter sucesso na rede não é preciso dispor de grande capital financeiro, mas de criatividade. ‘‘Os jornais ainda não conseguiram identificar qual o filão exato a ser explorado na rede e isso coloca todos no mesmo patamar. Quem tem as melhores idéias está na frente’’, diz ele, afirmando que mais de 50% dos jornais do País têm sites na Internet.
Para Novaes, a rede mundial de computadores é a maior revolução da comunicação desde Gutemberg. ‘‘A Internet significa, ao mesmo tempo, uma ameaça e uma oportunidade para os jornais impressos’’, afirma. A ameaça tem relação com o fato de que, por ser virtual, qualquer empresa pode entrar no negócio da comunicação, passando a explorar a principal fonte de receita dos jornais, que são os classificados. ‘‘A Internet vai desintermediar uma das principais relações do jornal, que é entre o anunciante e o consumidor. Além disso, a rede roubará o tempo dos leitores’’.
Mas por ser a mídia mais parecida com o jornal impresso, a Internet também significa uma boa oportunidade para aumentar o faturamento das empresas jornalísticas. ‘‘Existe uma gama enorme de serviços para ser explorada na rede. E os jornais são as empresas mais preparadas para competir, já que detêm a informação’’. Novaes não acredita que o jornal impresso irá desaparecer por causa da Internet. ‘‘Mas se acomodará num outro nicho ainda a ser descoberto’’.
Para não perder posição no mercado, os jornais devem investir anualmente 5% de seu faturamento em novas tecnologias, segundo o diretor de O Globo. ‘‘Quem investir 1%, ficará para trás’’, garante.

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