Jornada aos sábados e reajuste emperram acordo do comércio
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 24 de julho de 2006
Erika Zanon<br> Reportagem Local 
Mesmo depois de diversas reuniões entre representantes do Sindicato dos Empregados no Comércio e do Sindicato do Comércio Varejista (Sincoval), ainda não houve acordo entre as duas partes para o fechamento da Convenção Coletiva, vencida no dia 1º de maio, data-base dos comerciários. Fora a porcentagem do reajuste salarial - o sindicato dos empregados pede 7% e o patronal oferece 5% - a abertura do comércio em todos os sábados do mês também tem emperrado as negociações. Uma reunião, na próxima semana, deverá ser definitiva para as duas entidades.
Segundo o presidente do Sindicato dos Comerciários, José Lima do Nascimento, já está definido em convenção a abertura do comércio nos dois primeiro sábados do mês e, agora, a entidade ainda propõe acrescer a esta cláusula a possibilidade de abertura nos outros sábados, de forma facultativa e desde que as empresas façam um acordo coletivo direto com os funcionários. ''Só que o sindicato patronal quer que fique definido, direto na convenção coletiva, a abertura em todos os sábados dos mês para as empresas não precisarem fazer esses acordos individuais. Mas os empregados não aceitam essa alternativa'', afirmou Lima.
Como explicou ele, a proposta da entidade tem como objetivo conseguir benefícios para os empregados que terão que trabalhar durante as tardes de mais dois ou três sábados no mês. Além do pagamento da hora-extra de 70% a mais da hora normal - atualmente, nos dois primeiros sábados, a hora-extra é de 50% e deverá continuar nesse valor - Lima acredita que, entre outras coisas, poderá conseguir o pagamento de vale-refeição. ''É mais fácil fazer um acordo com cada empresa, do que definir essa alternativa em convenção coletiva e acabar prejudicando os funcionários de empresas menores, as quais não têm interesse em ficar abertas todos os sábados e nem terão condições de conceder benefícios ao funcionários'', comentou o presidente do sindicato dos comerciários.
Outro problema que tem dificultado um acordo entre patrões e empregados é o reajuste do salário. No início das negociações, no mês de maio, o sindicato dos empregados pedia 10% de aumento no piso da categoria, mas, agora, aceita fechar o acordo em 7%. O Sincoval oferece 5%. Atualmente, o piso para os funcionários comissionados é de R$ 450 e para os que não recebem comissão é de R$ 410.
Lima ainda acrescentou que se na próxima reunião entre os dois sindicatos, marcada para o dia 1º de agosto, não houver acordo, a proposta dos empregados será encaminhada para discussão na Delegacia Regional do Trabalho (DRT). ''Se não conseguirmos resolver a situação no próximo encontro, vamos convocar uma reunião com o delegado da DRT. E, qualquer coisa, vamos para dissídio coletivo. Esse acordo já está demorando muito'', frisou Lima.
O presidente do Sincoval, Uzier de Carvalho, disse apenas que a entidade concorda que seja paga a hora-extra de 70% da hora normal, a partir do 3º sábado do mês, no entanto, preferiu não detalhar as propostas do sindicato patronal.


