Warren NabucoNovo perfilNeusa Costa: ‘‘Dessa vez, atendemos muitos assalariados que estavam à procura de jóias a preço acessível’’Os lojistas do setor de confecções, um dos mais fortes no período que antecede o dia das Mães, tiveram dois ‘‘adversários’’ este ano: o tempo quente, que inibiu a venda de artigos de outono-inverno, e a migração de consumidores - especialmente de menor poder aquisitivo - para o comércio de jóias. ‘‘Como a roupa de frio está cara, em vez de comprar uma blusa de lã por R$ 100, muitos filhos preferiram optar por anéis e brincos de ouro, do mesmo valor’’, afirma Hideko Baba, proprietária de uma loja de confecções no centro da Cidade. Ela, que calcula ter vendido 30% menos do que no ano passado, diz que apenas as peças mais leves e baratas - de até R$ 50 - tiveram saída. ‘‘Quem tinha um pouco mais de dinheiro para gastar preferiu variar neste ano, comprando outros tipos de presente’’.
Neusa Boni da Costa, de uma relojoaria no Calçadão, concorda que muitos consumidores acostumados a comprar roupas nesta época do ano preferiram optar por jóias entre R$ 150 e R$ 250. Segundo ela, o perfil dos compradores da relojoaria mudou. ‘‘Nesta semana, atendemos muitos assalariados como comerciários, por exemplo, que buscavam peças mais baratas. No sábado, muitos negociaram com a gente a compra pelo preço à vista em duas parcelas’’, diz. ‘‘No ano passado, o grosso das vendas foi de peças pesadas, que custavam acima de R$ 1 mil’’, afirma.
Com esta inversão, Neusa calcula que, apesar do movimento ter sido maior, o faturamento acabou sendo o mesmo do ano passado. Para ela, que viu os consumidores de maior poder aquisitivo desaparecerem da loja, quem reservou R$ 500 para presentear a mãe buscou uma mercadoria da moda: o Vaporetto. Tanto que, no sábado de manhã, o produto já tinha sumido do estoque de uma loja de eletrodomésticos do centro de Londrina.
O gerente Elvis Martins conta que vendeu nove unidades somente na sexta-feira. ‘‘Foi uma surpresa. No sábado, alguns consumidores procuraram o produto mas não pudemos atendê-los por causa da falta da mercadoria’’. Ontem a loja recebeu mais quatro unidades, que custam R$ 489 à vista.
De olho no consumidor popular, uma outra relojoaria de Londrina distribuiu 30 mil panfletos, na semana passada, divulgando os produtos em bairros como Cinco Conjuntos, Cafezal e Jardim Piza. A gerente Deise Cremasco acredita que este marketing porta-a-porta tenha contribuído para o aumento de vendas na loja, que neste ano vendeu 30% mais em relação a 96. As jóias mais vendidas custavam entre R$ 100 e R$ 200. ‘‘Alguns modelos acabaram no sábado de manh㒒, diz. ‘‘Muitas pessoas deixaram de comprar roupas e sapatos para darem uma jóia, que tem valor sentimental maior e é eterna’’, propagandeia.
Segundo os registros do Sistema de Proteção ao Crédito da Associação Comercial de Londrina, o movimento de consultas dos comerciantes aos computadores do serviço foram maiores este ano. Durante a semana passada, houve 37.738 pedidos de informação. No mesmo período do ano passado, foram 34.503 consultas. O acréscimo foi de 9,37%.

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