Curitiba-A Caixa Econômica Federal, em Curitiba, começou a receber, ontem, os lances do leilão de aproximadamente 1,3 mil lotes de jóias penhoradas e não resgatadas pelos clientes. Os valores mínimos variam de R$ 69,00 a R$ 3,5 mil. Os clientes com contratos vencidos tinham até ontem para regularizar sua situação e recuperar suas peças, mesmo aquelas que já haviam recebido oferta de compra. Somente hoje a Caixa deve ter o balanço das jóias resgatadas.
A expectativa do gerente regional da Caixa Econômica, Álvaro Luiz Martins, é de que todos os lotes, no valor total de R$ 480 mil, sejam arrematados no leilão. Caso isso não aconteça, os lotes restantes serão incluídos em um próximo leilão, explicou ele. Os lances serão recebidos até hoje nos terminais eletrônicos das agências que possuem penhor, em horário bancário. Ontem, as jóias ficaram expostas na agência Carlos Gomes, no centro de Curitiba, e a movimentação de interessados foi grande. A consulta dos catálogos pode ser feita, ainda hoje, pela internet no site www.caixa.gov.br..
Martins disse que entre os compradores estão pessoas de diferentes perfis, como colecionadores de relógio, por exemplo, mas a Caixa exige um detalhado cadastro, identificando o comprador para evitar o uso dos leilões para lavagem de dinheiro.
A vendedora Sônia Regina Putrique viu no leilão a oportunidade de fazer um investimento, além de ter as jóias para uso pessoal. ''É uma maneira de ganhar dinheiro, já que não dá para confiar no dólar. O ouro não desvaloriza nunca'', afirmou. Segundo ela, em Ivaiporã, onde mora, o grama do ouro é vendido a R$ 85,00. No leilão, o valor médio fica em R$ 10,00/grama. Sônia perdeu algumas peças que havia penhorado há cerca de dois anos para bancar tratamento de saúde na família. ''Perdi por esquecimento, mas não fiquei muito chateada porque também tinha comprado em leilão'', acrescentou.
Já a professora aposentada Cacilda Pereira, que ontem terminava de pagar seu contrato para resgatar as jóias, adotou o penhor há cinco anos como fonte extra de renda. ''Eu também gosto de deixar minhas jóias guardadas no banco, que é mais seguro. E, na hora do aperto para pagar dívidas, o penhor é a opção mais barata, pois os juros são baixos'', disse ela.
De fato, os juros dos contratos de penhor variam entre 2,6% ao mês para empréstimos de até R$ 300,00 e 3,25% ao mês para valores maiores, enquanto a taxa média do mercado é de 6%. Somente em Curitiba, são 90 mil contratos. Segundo Martins, a expansão das financeiras não afetou o sistema de penhor, que vem crescendo em torno de 10% ao ano.

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