Jóias com o jeito do cliente
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 26 de maio de 2010
Maigue Gueths<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Antigamente, jóias eram feitas de ouro, diamante, pedras preciosas e pérolas. Ponto final. Comprar um presente especial não tinha segredos. No aniversário de 15 anos, a menina-moça era presenteada com um ''solitário'', tradicional anel de um só brilhante. O homem também não corria riscos de desagradar quando queria dar um presente marcante para a mulher, já que o desenho das peças nunca trazia grandes inovações.
De uns anos para cá, este conceito mudou. Jóias tradicionais continuam com mercado próprio, mas peças personalizadas e mais identificadas com as pessoas ganharam espaço considerável no mundo da ourivesaria. Essa inovação é resultado, em especial, da dedicação dos designers, que saíram em busca de novas referências, desenhos e materiais para recriar o objeto.
Nas vitrines, este novo conceito tem um nome: são jóias de autor ou jóias contemporâneas, peças que trazem histórias pessoais e características que reforçam a ligação com a atualidade, o que pode incluir inlusive lançamentos de coleções acompanhando o calendário da moda. Com criatividade e uso de materiais mais acessíveis, resultando em menores preços para o consumidor, o mercado de jóias e pedras preciosas brasileiro conseguiu fugir da crise econômica mundial. De acordo com o Instituto Brasileiro de Gemas e Metais Preciosos (IBGM), o segmento movimenta cerca de US$ 4 bilhões ao ano, sendo 55% para o mercado interno e 45% para exportações.
Em Curitiba, dois exemplos dessa nova geração são os joalheiros contemporâneos Adriana Beigel e Rodrigo Alarcón. ''A formação da joalheria de autor é antiga, surgiu nos anos 20, 30, mas só ganhou força na Europa a partir dos anos 60, tendo como um dos pricipais objetivos fazer peças de alto teor estético e peças exclusivas'', explica Adriana. No Brasil, outra característica, segundo ela, é o fato do setor não fazer concorrência às grandes marcas joalheiras, mas sim oferecer ''um novo produto, com custo-benefício mais vantajoso para o consumidor''.
Adriana, por exemplo, praticamente não usa o ouro 18 quilates, a não ser em peças exclusivas, feitas sob encomenda. Os metais mais usados são a prata e o ródium. O dourado, por sua vez, aparece na prata dourada. A diferença de preço é grande, explica, uma vez que o valor da peça está relacionado ao peso. Além do ouro ser mais pesado, o grama custa R$ 75,00, contra R$ 1,50 o grama da prata. ''Um anel de pedra preciosa forrado de prata dourada vai sair por uns R$ 380, quando se fosse de ouro seria uns R$ 1,5 mil'', diz.
A principal matéria-prima de Rodrigo Alarcón é a prata, material que obtém a partir da purificação de chapas de raio X, feita por uma empresa que compra o material de hospitais e retira a prata. Outro produto bastante explorado por ele são as pérolas e madrepérolas, muitas vezes usadas na forma bruta, deixando à mostra a ação da natureza. Alarcón também usa gemas e pedras preciosas, que muitas vezes aparecem em composições junto a uma diversidade de materiais. Madeira, casca de ovo de avestruz, chifre de boi, sementes, côco, fibras vegetais são alguns deles.
Novos efeitos
''Sempre procuro coisas diferentes, novos desenhos, tendências, vou atrás de materiais para criar novos efeitos. Por isso, não há uma produção em série, tudo é feito a mão. Sai uma peça única, exclusiva'', diz Alarcón. O uso de novos materiais exige pesquisa, em especial o material orgânico, de modo a aumentar sua resistência.
Adriana também mantém pesquisa constante. ''Estou sempre procurando materiais, pré-ligas. É um constante processo criativo, estou sempre olhando para os lados, nada passa despercebido.'' Fruto de sua procura, ela mostra alguns anéis: ao invés de pedras, semente de mamona fundida com prata dourada; e casca de laranja e eucalipto também fundido com prata dourada. Entre as pedras preciosas, usa apenas as pedras naturais, em especial as brasileiras.
Na linha da sustentabilidade, Alarcón aposta na reforma de jóias. ''Se o cliente tem uma jóia que não usa mais, é possível dar um novo uso, reutilizando as pedras, o metal'', diz. Pedras podem ser relapidadas, formas podem ser refeitas. Nessa customização, ele já chegou a usar cacos de porcelana de um bule de estimação, que era da avó de uma cliente, que foram transformados em pingentes e presenteados para cada membro de uma família.
O trabalho destes artistas é artesanal. Depois da criação, cabe a eles elaborar os protótipos em seus ateliês, fazendo moldes e peças piloto. Serviços como fundição, cravação e banho são terceirizados, mas Alarcón conta que algumas etapas, como a montagem de colares, por exemplo, envolvem o trabalho de pessoas da comunidade, que são contratadas para trabalhar em suas casas, entre elas uma família inteira, proporcionando, assim, melhor distribuição de renda.
Serviço:
Para conhecer mais:
www.adrianabeigel.com.br
www.rodrigoalarcon.com
www.silviadoring.com.br


