A indústria do entretenimento e da diversão revelou um segmento muito rentável. Os jogos para computadores e telefones celulares são o mais novo filão apresentado pela informática. É um mercado bilionário, que no ano passado movimentou cerca de R$ 50 bilhões no mundo todo, e ainda está em plena expansão. Segundo dados da Associação Brasileira de Desenvolvedoras de Jogos Eletrônicos (Abragames), somente no Brasil todas as cadeias ligadas ao setor movimentaram, juntas, cerca de R$ 100 milhões em 2004. Naquele ano, as empresas apresentaram um crescimento de quase 40% em seu faturamento.
O sucesso do mercado se deve, em parte, ao público consumidor. Estimativas indicam que a média de idade das pessoas que compram jogos eletrônicos é de 28 anos. ''É um público com maior poder aquisitivo que tem o seu computador e que o utiliza para trabalhar e também para se divertir'', afirma Juliano Barbosa Alves, diretor comercial da Oniria, empresa londrinense com apenas quatro anos que já desenvolveu jogos para países europeus e asiáticos. Mas as vantagens do empreendimento não param por aí.
Com preços relativamente acessíveis para o mercado interno, as empresas nacionais conseguem competir com a pirataria, uma prática que prejudica muitas indústrias formais. Os jogos desenvolvidos no Brasil custam entre R$ 20 e R$ 30, enquanto os importados entram no mercado com um preço bem maior: entre R$ 40 e R$ 80. ''Os computadores revolucionaram o mundo e até influenciaram a criação da TV digital. As pessoas têm mais necessidade de controlar o que assistem'', avalia Alves.
A Oniria, por exemplo, tem em sua lista de clientes empresas estabelecidas na Alemanha e na Índia e está em negociações com a Itália. Além disso já fechou contrato com uma multinacional, com filiais no Brasil, para o desenvolvimento de jogos promocionais, além de atuar também em todo o mercado nacional. Inclusive, um jogo de entretenimento entrou para a relação dos dez mais vendidos na Alemanha no ano passado. O game foi inspirado no romance alemão ''Gang dos Cavalos'' e foi comercializado na Alemanha, Áustria, Holanda, Suíça e França.
A empresa ainda desenvolve jogos para treinamentos profissionais e sites de animação. No ano passado, o crescimento da Oniria foi de 60% e, para esse ano, a meta é crescer 200%. ''Em períodos de crise, o segmento cresce ainda mais porque as pessoas investem em diversão'', avalia Alves. O crescimento da empresa ainda pode ser demonstrado pela quantidade de funcionários. O quadro da empresa é formado por uma equipe multidisciplinar com profissionais formados de design, arte, música, ciências sociais e propaganda e marketing. São quatro sócios. A empresa foi fundada com 8 funcionários, hoje são 18.
O detalhe é que os funcionários também tem participações no lucro. Essa foi a forma encontrada pela Oniria para manter os profissionais, uma vez que encontrar pessoas já com experiência e criatividade é mais difícil. A idéia de criar a empresa surgiu entre o grupo de amigos, todos consumidores de jogos eletrônicos. ''Percebemos o potencial do mercado, conseguimos uma oportunidade e decidimos investir'', lembra o diretor comercial. A oprtunidade surgiu quando a empresa ficou ligada à Incubadora Internacional Tecnológica da Universidade Estadual de Londrina (Intuel). Hoje, a Oniria é pós incubada e não utiliza mais a estrutura da Intuel.

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