Os jogos do Brasil na Copa do Mundo estão reduzindo drasticamente a atividade produtiva do País, ao menos nos 90 minutos em que a seleção está em campo. Quem confirma são os técnicos que trabalham no setor de operações das empresas de energia elétrica. Nos dias de jogos, enquanto toda a torcida pára o trabalho em fábricas e escritórios e corre para o aparelho de televisão mais próximo, eles trabalham com cuidado redobrado para evitar panes nos minutos que antecedem a partida, nos intervalos e também logo após o apito final.
O maior problema é que o consumo enfrenta oscilação muito rápida em todo o País, quando a partida se inicia. No intervalo, ela volta a subir em velocidade muito acima da média, pois muitos brasileiros aproveitam para ligar microondas, chuveiros e outros aparelhos elétricos.
A tensão volta a cair no início do segundo tempo e é retomada abruptamente no final da partida. ‘‘Nas descidas do consumo, precisamos controlar a carga para evitar que a tensão fique muito acima do necessário, o que pode ser perigoso para o sistema elétrico’’, explica o secretário adjunto de energia de São Paulo, Mauro Arce.
Segundo ele, as turbinas das hidrelétricas precisam ficar funcionando em stand by para que possam ser religadas imediatamente após o apito do juiz. ‘‘É comum o consumo baixar de 13 mil megawatts para 9 mil durante o jogo’’, conta Arce. ‘‘No intervalo, o consumo sobe para 11 mil e cai no segundo tempo, mas logo após o término da partida ele sobe em questão de poucos minutos para 15,5 mil.’’
Normalmente, o período mais crítico para o setor elétrico ocorre entre as 18 e 21 horas, quando todos os brasileiros estão chegando em casa e ligando interruptores e tomadas elétricas no início da noite. ‘‘Em dias de jogos, o pico de consumo é antecipado e varia conforme o apito do juiz.’’

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