Joelmir Betting
Maiores e melhores
A produtividade do trabalhador brasileiro, no setor industrial, subiu do índice 100, em 1990, para o índice 151, em junho deste ano. E, pelo cheiro da brilhantina, pode alcançar o índice 195 por volta de 1999. Fonte: Ipea.
Tais números demonstram que o Brasil deve estar liderando o campeonato da produtividade industrial na América Latina. Resultado tanto mais expressivo quando se leva em conta o perfil do parque industrial brasileiro: o de maior peso em relação ao PIB e o mais abrangente e diversificado do Continente.
Um estudo do economista argentino Roberto Frenkel demonstra que a liderança brasileira começa a ser ameaçada pela indústria da Argentina. Que também embarcou na modernização a partir de 1990. Quem está patinando nessa disputa é a indústria mexicana, no rodapé da indústria americana.
Estudioso do assunto, o economista Edward Amadeo, da PUC-RJ, prefere destacar os impactos da modernização da indústria na qualidade do trabalho, do emprego e do salário. Claro, para quem permanece a bordo das fábricas que se modernizam. A relação custo-benefício, segundo ele, é positiva. Seguinte: a precarização do emprego dos afastados (minoria) é largamente compensada pelo enobrecimento do trabalho dos reciclados (maioria).
Na indústria automobilística, os prejudicados, desde 1990, somam 7% da força de trabalho anterior. Os beneficiados, 93%. O tal de desemprego tecnológico no setor foi amaciado pelo crescimento da produção - que dobrou de tamanho desde 1990.
O fenômeno é explicado por Edward Amadeo: há que se diferenciar aumento de produtividade industrial por valor agregado da expansão do mercado por repasse do aumento da produtividade. A primeira reduz o emprego. A segunda, amplia. No setor automobilístico, registra-se um complicador: o crescimento, no período, das importações de autopeças por veículo montado. Esse processo aumentou a produtividade por valor agregado, mas travou a oferta de emprego por expansão do mercado.
Nas montadoras e nas autopeças, o emprego também trombou com a terceirização. Que tem a ver menos com redução do trabalho e mais com migração do emprego.SECOS & MOLHADOS
Arrancada
- Mantida a média de crescimento de 7,3% ao ano, observada desde 1991, a produtividade do parque industrial brasileiro deve dobrar em menos de dez anos. O maior salto em todos os tempos.
Tartaruga
- Na soma das décadas de 70 e de 80, a produtividade média da indústria brasileira contentou-se com 3,4% ao ano. Com direito a marca-passo nas pajelanças planaltinas do período 1985/90.
No pódium
- O ramo da eletrônica e telecomunicação lidera essa corrida, com produtividade média de 12% ao ano. Dobra em seis anos. O ramo automobilístico, o mais visível, vai de 9%. Dobra em 8 anos.
Na guerra
- Acusada de acomodação, em plena globalização, a indústria têxtil exibe ganhos de produtividade de 6,5% ao ano. Ela não teme a competição externa. O que ela não aguenta é o dumping chinês.





